James tinha sido incapaz de dormir a noite toda. Pensamentos sobre o que aconteceria, caso Lily tivesse mantido o beijo, repetiam-se de novo e de novo em sua cabeça. Especialmente sua maldita perna envolta de sua cintura estava liderando uma trilha de pensamentos que ela certamente não teria apreciado.
Então, no dia seguinte, quando ela o alcançou e ficou ao seu lado no corredor, precisou todo o mísero controle que ele não tinha para não agarrá-la e beijá-la insensatamente.
- James, eu estava pensando sobre a noite passada...
- Você também? Eu pensei sobre isso a noite toda - ele disse, passando por ela. Lily apressou-se em se afastar dele.
- Não desse jeito. Quero dizer, quantos beijos restam para você ganhar?
- Apenas dois. Desde que nós nos beijamos duas vezes...
Lily deu um passo para perto dele, um brilho em seus olhos.
- Eu estava pensando; esse poderia mesmo contar como dois beijos separados, desde que um deles foi eu beijando você e a aposta era para você me beijar?
- Isso é meramente um caráter técnico.
- Mas, James, você não quer uma desculpa para me beijar uma vez mais? - ela disse, roçando levemente seu corpo contra o dele.
- Lily, você está tentando me seduzir para concordar contigo?
- Está funcionando? - ela perguntou sorrindo.
Ele amava aquele sorriso maldoso em seu rosto. Fazia-a parecer muito beijável...
- Eu nunca poderia dizer não a você - ele respondeu, inclinando-se para beijá-la. Ela se afastou, dando a volta por ele.
- Obrigada, James, até mais.
Lily se sentira culpada por isso, mas havia decidido que ele merecia. Passara uma semana inteira sem beijá-la, esperando que ela admitisse que queria. Foi uma tortura. Então, decidiu que o torturaria de volta. Deixando-o perceber como ele gostava de beijá-la.
Sua parceira de poções havia voltado do Saint Mungus, e embora estivesse trabalhando com Frank, queria dar a ele e Alice um tempo para ficarem sozinhos, portanto, trabalharia com ela. Além disso, queria provocar James. Ela o viu olhá-la fixamente; encolheu os ombros e disse algo sobre a garota estar sem parceiro.
James sentou atrás, em sua cadeira, aborrecido. Ele queria trabalhar com Lily. Ela era uma melhor visão do que Sirius, e ele, freqüentemente, concluía alguma coisa dos trabalhos com ela.
- Estou começando a perceber que você está preferindo ela a mim - Sirius disse, seguindo o olhar do amigo.
- Isso é porque estou mesmo. Tão agradável de olhar o quanto você pode perceber - James replicou.
- Então, vá trabalhar com ela.
- Não dá. A garota que deixou o Saint Mungus é a parceira dela.
Sirius olhou para a garota por um segundo, então voltou para James:
- Você realmente quer trabalhar com a Lily?
- Sim
- Espere um segundo - Sirius disse, atravessando a sala de aula a passos largos.
Lily notou como Sirius puxava sua parceira, se perguntando o que ele estava fazendo. Ela o viu sussurrar alguma coisa na orelha da garota, deixando-a com uma tonalidade vermelho profundo. Então, a menina caminhou de volta para Lily.
- Lily, eu vou trabalhar com o Sirius hoje, você se importa?
Lily deu um sorriso falso.
- Não, tudo bem. Eu vou trabalhar com James.
Lily deixou seus livros caírem ao lado dos dele e se sentou no lugar que Sirius ocupara anteriormente.
- Essa foi uma idéia brilhante.
- Foi toda dele - James respondeu, olhando para seu melhor amigo e a corada ex-companheira de laboratório de Lily. - O que foi aquilo, essa manhã?
- Hã? Nada - respondeu inocentemente.
- Lily.
- James.
Ele rolou os olhos.
- Ótimo, não me conte.
Lily sorriu e foi realizar sua tarefa. James ajudaria ocasionalmente, mas, na maior parte, ela apenas lhe disse o que fazer. Considerou que era um milagre ele ter passado em Poções todos esses anos. Ela estava querendo torturá-lo, mas não estava cônscia de que o havia torturado no corredor, antes, sem intenção, e não havia indício de que o estava fazendo agora.
James não poderia mais se permitir encarar Lily. Eles estavam trabalhando em uma poção extremamente complicada e ela mordia seu lábio inferior, concentrada. Sabia que ela fazia isso quando estava pensando, mas isso o estava deixando louco. Trazendo muito mais foco para eles, desconcentrando-o...
Lily virou em sua cadeira, encarando James, e lhe disse que estava quase terminando, quando percebeu o mesmo olhar com que ele a olhara na noite passada.
- Comporte-se.
- Comportar-me mal?
- Comporte-se como se sua mãe estivesse nos olhando - ela retorquiu.
- Minha mãe sempre foi boa em olhar para o outro lado...
- Não me toque. Nós estamos em uma sala de aula, por Merlin.
James a ouviu. Entretanto, o modo como ele a encarava tornou-se muito irritante. Lily nunca esteve tão grata quando a aula terminou.
Alice e Frank estavam sendo agradáveis um com o outro novamente, mas Lily sabia que eles estavam a ponto de se desentenderem quando o admirador de Alice mandasse outra carta a ela. Os dois saíram, deixando Lily sozinha com James, Sirius, Remus e Peter.
- O que exatamente você disse à minha parceira, Sirius? - ela perguntou.
- Nada que eu possa repetir.
Tanto Lily quanto Remus rolaram os olhos com aquele comentário.
- Hei, verei vocês mais tarde. Quero alcançar Alice e Frank.
O que Lily encontrou não foi o que ela esperava. Alice segurava outra carta em sua mão e Frank estava emburrado em um sofá. Alguns alunos do primeiro ano colocaram a sala comunal em desordem, mas eles se arrastaram para fora quando Lily mandou-os ir para a sala de aula.
- Olhe, Lily, outra carta. E há mais poesia. Ouça: Vê-la é uma pintura, Ouvi-la é uma melodia, Conhecê-la, uma intemperança tão inocente quanto junho.
Lily vasculhou seu cérebro. Esse era de Emily Dickinson. O rapaz era dedicado.
- Eu não vejo nada de inocente sobre esse cara querer conhecê-la - Frank disse mal humorado.
- Ah, ele não quis dizer isso em um sentido bíblico - Alice falou, sorrindo para a carta.
- Pode não ter dito, mas é o que o poema quer dizer - Lily respondeu antes que Frank pudesse.
- Eu acho que o poema é doce - Alice argumentou.
- Eu não gosto desse cara. Se ele a fantasia tanto, por que não lhe diz isso cara a cara? Por que lhe manda cartas de amor com poesias estúpidas? - Frank disse asperamente.
- Não é estúpido, é romântico. Por que você tem que ser tão egoísta? Você não pode apenas ficar feliz por eu estar feliz?
- Eu quero que você seja feliz, mas não com esse doido.
Lily viu lágrimas brotar nos olhos de Alice e ela apertou a carta.
- Você está apenas com ciúmes! Você só está com raiva porque alguém gosta de mim e ninguém gosta de você.
Lily assistiu enquanto Alice gritava a acusação. Isso não teria ferido Frank tão profundamente se, ao invés disso, ela tivesse batido nele. Ela nem sequer lhe deu tempo para negar, correu para fora do salão comunal, em lágrimas.
Lily lançou um olhar para Frank, vendo-o se decidir se seguia Alice ou não.
- Eu vou. Ela não irá querer vê-lo agora.
Ela alcançou Alice no corredor e caminhou ao lado dela em silêncio, até que Alice falou:
- Tudo está tão bagunçado, Lily.
- Eu sei.
- As coisas nunca voltarão ao normal?
- Algumas coisas mudam. Às vezes, é para melhor. É apenas difícil mudar, só isso.
Alice fungou e Lily enfiou a mão em seu bolso, tirando um lenço. Alice assuou o nariz sonoramente.
- Você acha?
- Sim. Ficará tudo bem, Alice. Prometo.
Alice não pareceu convencida. Lily sabia que não poderia ajudar mais. Alice e Frank teriam que fazer todo o resto.
- Como estão as coisas entre você e James? Você não tem falado muito sobre ele, ultimamente.
Lily encarou seus pés. Era uma pergunta difícil.
- As coisas estão...diferentes.
- Você gosta dele?
A pergunta foi espontânea, mas Lily sabia que não era intromissão. Alice estava preocupada com ela e a queria feliz. Era o que ambas queriam uma para a outra.
- Ele está um pouco fincado em mim.
- Imaginei isso.
As duas caminharam em silêncio, considerando seus próprios pensamentos. Romance deixava as coisas fora de equilíbrio, e, de certo modo, tirava parte da inocência de suas juventudes. Tornava as coisas grandes, como de um adulto. Amor era uma emoção adulta.
- Eu não estou pronta para isso, sabe. Por esse ser nosso último ano. Parece que nós colocamos aquele chapéu ontem - Alice disso de repente.
- E brevemente nós estaremos saindo por essas portas, saindo para a vida. A idéia é assustadora, mas acho que nos sairemos bem - Lily falou.
- Você acha?
- Acho.
- Como? - Alice perguntou.
- Porque nós todos teremos uns aos outros.
xxx-xxx
Dois dias se passaram e Lily estava começando a sentir a própria fraqueza de sua resolução. Ela queria torturar James, mas não sabia que, fazendo isso, estaria, também, torturando a si mesma.
Era fácil evitá-lo, já que Alice e Frank não estavam se falando e ela estava dividindo todo o seu tempo entre eles. Parecia que ambos a queriam ao seu lado, e Lily nem sequer tinha certeza se eles sabiam o motivo de estarem irritados um com o outro.
Estando tão obcecada com isso, era fácil deixar passar mais dois dias, sem se preocupar com James. Ela o viu, mas sua mente estava em outro lugar e nem prestou atenção. Chegou ao ponto de James estar começando a pensar que ela estava irritada com ele.
Então, ele fez a única coisa que conseguiu pensar. Se Lily não diria a ele por que estava irritada, ele perguntaria para um de seus melhores amigos. Frank foi sua primeira opção, uma vez que ele seria o menos suscetível a uma explosão. Garotos ficam irritados quando alguém se interessa por sua amiga; garotas, por outro lado, ficam furiosas e gritariam para ela, ofensas sobre você.
Contudo, Frank não foi encontrado. Provavelmente, escondido de Alice em algum lugar, já que os dois não estavam se falando. Ele viu Alice sentada num sofá, lendo um livro trouxa. Meramente reconheceu o livro que pertencia a Peter.
- Alice? Posso falar com você?
A garota levantou os olhos do livro, colocando um marcador dentro dele, fechando e atirando-o ao seu lado no sofá.
- Claro. - Ela se levantou, caminhando com ele para o corredor. - Alguma coisa errada? Não é a Lily, é?
- É, mas não, nada errado. Não exatamente.
Alice olhou para ele, inquirindo. Cuidou em não dizer que Lily estava irritada, ou Alice ficaria muito mais hostil.
- Lily tem estado...um tanto distante, ultimamente. Eu queria saber se você sabe o que há de errado.
- Lily está sendo Lily. Frank e eu não estamos felizes, então ela não se acha no direito de estar também.
Fazia sentido. Era um comportamento típico de Lily.
- Então, não é por minha causa.
- Não, ela está bem com você.
Se Alice estava admitindo que ele e Lily estavam bem, então Lily deve ter admitido algo para Alice.
- Ela está bem comigo? Como bem?
- Eu não posso dizer o que ela me disse. É confidencial.
- Não estou pedindo para você me dizer o que ela lhe disse. Estou pedindo sua opinião. Você acha que ela está pensando melhor? Que gosta de mim agora?
Alice levou um segundo para refletir o que dizer.
- Acho que sim. Ela gosta de você, mas a teimosia dela não quer deixá-la admitir. Ela ficaria muito irritada, se soubesse que estou dizendo isso a você, mas eu quero que ela seja feliz, e acho que você poderia fazê-la feliz.
Alice voltou-se para ele de repente e logo estava parada bem enfrente a ele.
- E é melhor você me provar isso, porque, se você quebrar o coração dela, eu quebrarei cada osso de seu corpo.
Isso foi um tanto assustador, mas, ao menos isso mostrou que ela se importava.
- Eu nunca a machucaria. Eu a amo.
Alice sorriu para ele.
- Eu sei. E ela também sabe. Então, encontre-a. Lembre-a. Isso não é algo que ela vá querer esquecer, não importa o que ela diga.
Estava chovendo quando James finalmente encontrou Lily, em um corredor vazio, olhando pela janela.
- O que você está fazendo?
- Assistindo a chuva - ela disse entorpecida.
- Parece divertido.
Ela não lhe respondeu.
- Lily, eu sei que você tem estado preocupada com seus amigos e seus problemas, mas você ainda não me dispensou - ele disse, ficando ao lado dela.
- Eu sei, não quis dizer isso. Eu apenas estava obcecada em tentar estar com Alice, estar com Frank, e acho que foi fácil para me esquecer de você.
- Isso me faz sentir bem comigo mesmo - ele disse sarcasticamente.
- Foi fácil esquecer você, porque eu sei que você sempre estaria comigo.
James não disse nada de volta, não sabia o que dizer.
- Não acredito que eu mereça isso pelos últimos dias. Eu estava apenas tentando consertar os problemas dos meus amigos.
James suspirou, colocando seu braço por sobre os ombros dela.
- Quando você vai parar de tentar consertar os problemas de todo mundo?
Lily sorriu com o tom dele.
- Quando todos pararem de tê-los.
- Algumas coisas precisam consertar-se sozinhas.
Lily suspirou, descansando sua cabeça no ombro dele.
- Eu sei.
- Você irá explicar para mim o que foi aquele outro dia?
- O quê?
- Quando você falou para mim sobre a aposta e os beijos.
Lily enterrou sua cabeça no ombro dele, corando furiosamente.
- O que você diria se eu falasse que eu apenas mencionei aquilo para fazê-lo pensar sobre me beijar para torturá-lo, por você ter feito com que eu quisesse que você me beijasse?
- Eu diria que você teve êxito.
Lily olhou furtivamente para ele:
- Você não está irritado?
- Não.
Ela colocou sua cabeça onde estava anteriormente.
- Que alívio.
- Mas eu ficaria menos irritado se nós diminuíssemos um número, de três para dois.
- Eu pensei nisso como um atrativo.
James esperou por sua decisão.
- Certo, tudo bem, dois.
- Então você admite querer que eu ganhe? - ele provocou.
- Eu só estou admitindo que estou aberta à idéia.
- Eu sabia que você finalmente pararia de negar que estava irremediavelmente atraída por mim.
Lily rolou os olhos, sorrindo para ele.
- Eu não diria irremediavelmente.
- Mas você está admitindo - ele pressionou.
- Você realmente me fará dizer isso? - ela perguntou.
- Sim.
- Ótimo. James Potter, eu, Lily Evans, estou atraída por você.
- E você está loucamente apaixonada por mim, e quer um dia se casar comigo e ter filhos meus? - ele adicionou.
- Não tente sua sorte.
Beijos restantes: dois.
terça-feira, 15 de junho de 2010
Capítulo 14
Lily estava atordoada. Uma semana inteira havia se passado e James não tentara beijá-la. Nem uma única vez. Estava deixando-a louca. Ele não queria vencer? Não se importava mais?
Entretanto, outras coisas haviam acontecido. Ela não tinha certeza de como, mas seu grupo de amigos e o grupo de James começaram a se sentar juntos para as refeições. Ela, claro, sempre ao lado do rapaz. Na verdade, era como se fosse sua namorada.
Com a exceção de que ele não a estava agarrrando.
Lily sentou-se ao seu lugar, ao lado de James, com Alice no outro lado. Frank sentara em frente a James, ao lado de Peter. Ele parecia infeliz, enquanto Alice segurava uma carta em suas mãos com um grande sorriso.
- Então, o que você acha que eu deveria fazer? - ela perguntou.
- Faça o que a deixa feliz - Frank respondeu rispidamente.
- Por que você está irritado? Achei que ficaria feliz por mim - Alice disse magoada.
Lily olhou para os dois amigos, lançando depois um olhar questionador para James. Ele murmurou as palavras "cartas de amor", ao que ela olhou novamente para Alice e Frank, para, em seguida, lançar um olhar desesperado para James.
- Hei, Frank, você quer dar uma volta comigo e com o Peter? - James perguntou.
- Nós vamos dar uma volta? - Peter perguntou.
James chutou o amigo por baixo da mesa.
- 'Tá, tudo bem - Frank respondeu, saindo do salão com os dois.
Lily suspirou, aliviada. As coisas entre Alice e Frank tinham que funcionar. Aqueles dois obviamente não estavam fazendo nada para ajudar.
- Então, Alice, o que essa carta diz? - Lily perguntou, tentando parecer casual.
Naquele momento, Sirius e Remus praticamente deslizaram para o banco, sentando em frente a Alice e Lily.
- Onde vocês dois estavam?
- Eu estava na biblioteca, tive que voltar pra lá. O Sirius estava...bem, eu me encontrei com ele no meio do caminho. Não quero entrar em detalhes.
Lily sentiu-se grata com isso. Detalhes não era algo que ela gostaria de ouvir tão cedo.
- Remus, eu te amo - falou.
Ela voltou então sua atenção para Alice, que encarava Remus intensa e inquiridoramente. Ou, para ser preciso, o prato dele.
- Você quer meu biscoito?
- Ah, sim, por favor. Tão gentil você oferecê-lo - ela disse, arrebatando o biscoito.
- Hei, eu também quero um biscoito extra - Sirius queixou-se.
Lily rolou os olhos, segurando os seus biscoitos.
- Você provavelmente existe para comer.
- Quem era ela? - Alice perguntou interessada.
Sirius deu de ombros, indiferente, mais ocupado em comer do que responder.
- Era a Amanda? Ela realmente gostaria de se desculpar - Lily falou.
- Ela se desculpou - respondeu Sirius, olhando para o café-da-manhã intacto de Lily, a qual rolou os olhos mais uma vez e o deu para Sirius.- Acho que te amo, Lily.
Ela ignorou essa resposta.
- Então, você e ela são amigos de novo?
- Eu espero que sim, pelo que vi - Remus falou, olhando para o amigo, ao seu lado, que só fazia enfiar a comida garganta abaixo. - Você mastiga, por acaso?
- Somos amigos.
- Aposto que sim - Alice retorquiu.
- Estamos nos conhecendo.
- Imagino o jeito que vocês estão fazendo isso - Alice continuou, olhando para suas unhas.
- Somos apenas amigos.
- Preciso de um amigo assim.
- Um dia, Alice, você encontrará um cara que te agrade - Sirius começou.
- Mas eu tenho um! Veja, Lily, eu tenho um admirador secreto - Alice falou, mostrando-lhe a carta.
- Tem alguma idéia de quem seja? - Remus perguntou.
- Não, mas ouçam o que ele escreveu, gente. Ele citou Shakespeare: "Poderei comparar-te a um dia de verão?"
- "Mas tu és mais suave e muito mais formosa; Em Maio a ventania sacode os botões de rosa" - Sirius a completou. Alice parou de ler.
- Você conhece Shakespeare?
- Todo idiota o conhece. Ao menos as três primeiras linhas. Eu sempre uso isso.
Alice olhou para o papel tristemente.
- Então isso não é romântico?
- Muito romântico.
Alice olhou para a carta, desapontada. Lily concordou com Sirius intimamente; comparar alguém com um dia de verão era realmente fácil.
- Apenas fale com ele e veja o que sente. Ele pode gostar de você - Remus sugeriu.
- Mas eu não sei quem ele é - Alice lamentou.
Lily estava grata. Frank não precisava de competição alguma.
- Quem flerta com você? - Sirius perguntou.
- Eu não sei. Nem sei como se flerta.
- Toda garota sabe flertar - ele argumentou.
- Não eu.
- Até você.
- Não, eu não sei.
- Sim, você sabe.
- Eu não sei flertar.
- Você sabe sim.
Lily ergueu a mão e tapou a boca de Alice.
- Eu estava esperando pra ver até onde eles iriam - Remus disse, sarcasticamente desapontado.
- Você sabe flertar - Lily falou. - Vocês estavam flertando enquanto brigavam.
- Estávamos?
Na verdade, Lily achava que não, mas ela não queria mais saber daquela discussão. Especialmente uma que se igualava às de alguém que estava no jardim de infância.
- Eu sabia que você gostava de mim - Sirius disse.
- O bastante para jogar suco de abóbora na sua cabeça - Alice comentou.
Sirius não respondeu, mas Lily percebeu que ele perfurou os ovos em seu prato particularmente forte.
- O que eu deveria fazer? Vocês são garotos, me ajudem!
- Para começar, nada de derramar suco de abóbora na cabeça dele - Lily advertiu segurando o braço de Sirius, pois ela tinha certeza que ele estava a ponto de arremessar seu garfo em Alice.
- Eu tiro completamente o que eu disse sobre amar você - Sirius falou.
- Estou com o coração despedaçado. Sério.
Alice bateu o punho na mesa.
- Oláá! E o meu admirador secreto? Preciso de ajuda!
- Você quer um admirador secreto ou você só gosta da idéia? - Remus perguntou. Ele tinha uma maneira de perguntar que deixava a pergunta menos indelicada.
- A idéia, eu acho. É assustador, na verdade. Um garoto que te escreve cartas, mas você não faz idéia de quem seja. Ou não sabe que sabe.
Lily levantou. Ela poderia ficar ali e ouvir aqueles três durante um bom tempo, mas ela queria saber se Frank estava bem.
- Vou ver o Frank.
- Descubra por que ele estava tão irritado. Ele deveria estar feliz por alguém gostar de mim.
- Você não tem pista alguma? - Sirius perguntou.
Lily se foi antes que eles iniciassem outra discussão. Ela tinha que encontrar Frank. E James.
Quanto a James, Lily o encontrou sentado perto do lago, perdido em pensamentos.
- James? - ela o chamou, sentando próximo a ele.
O rapaz abriu os olhos e a viu bem próxima a ele.
- Falou com o Frank?
- Ele está bem. Pretende contar logo a ela.
Lily pensou. Alice gostaria disso? Será que eles ficariam bem caso ela não quisesse nada com Frank?
- Não se preocupe, Lily. Vocês três sempre serão vocês três.
A garota rolou os olhos, encarando-o. Por que ele era tão indiferente? Por que ele não estava tentando nada?
- Sabe, o admirador secreto de Alice lhe enviou uma poesia. Shakespeare. Eu nunca recebi uma poesia de alguém, antes.
James levou aquilo como uma óbvia sugestão. Seu plano estava funcionando. Não havia tocado em Lily, tentado nada, e estava deixando-a louca. O que provava que ele poderia vencer a aposta. E, se ele tivesse sorte, provando também que Lily o queria.
- Se você quiser uma poesia, eu lhe dou uma. De Shakespeare, se é o que você quer.
- Você conhece alguma?
- Aprenderei uma por você.
- OK, então.
Havia um tom de desafio na voz dela, e James se sentiu suspirando. Isso significava que, na verdade, ele deveria aprender uma poesia e recitar para ela.
Lily ainda ficou olhando para James, ansiando perguntar por que ele não tentara nada.
- James...
- O quê?
- Esqueça - ela disse rapidamente, concentrando-se numa nuvem em forma de golfinho.
James sorriu consigo mesmo. Ela queria que ele vencesse a aposta.
xxx
Foi numa patrulha pelos corredores, àquela noite, que ela o viu de novo, tendo esquecido sobre a poesia. Lily estava mais preocupada com o desinteresse dele pelos seus lábios.
- Oi, James. Podemos fazer a ronda rapidamente, essa noite? Prometi a Alice que a ajudaria com a tarefa.
- Eu tenho seu Shakespeare.
- O quê?
- Você disse que queria uma poesia, então, eu lhe encontrei uma.
Lily então compreendeu.
- Ah, aquilo. Não foi sério.
- Foi sim.
- Bem, talvez um pouco - ela admitiu.
- Você quer ouvir ou não?
- Sim, dê pra mim.
- Darei a qualquer momento...
- O poema, James.
- Certo. Então, 'tá. Lá vai:
Que vergonha! Negue que tu ames alguém,
Que tão negligente és contigo mesma,
Admite que muitos te amem,
Mas que tu a ninguém o fazes, é evidente;
Pois possuis um ódio assassino
Contra ti mesmo conspirando,
Tentando tua beleza varrer do mapa,
O que preservar teria de ser seu principal interesse
Muda teu pensamento, que eu possa mudar de idéia!
Deveria o ódio ficar mais ao abrigo do que o doce amor?
Sê tal qual és, graciosa e bondosa.
Ou ao menos a ti sejas bondosa;
Faça um outro de ti mesma por amor a mim,
Para que a beleza possa ainda sobreviver nos teus, ou em ti.
Lily o encarou, atordoada. Já era muito ele aprender um poema, que dirá aprender um que os retratasse tão bem. Deveria o ódio ficar mais protegido do que o amor?; mudando pensamentos e conceitos; ódio assassino; mudar seu jeito...
- James, eu...eu não pensei que você fosse realmente me dar uma poesia. E essa foi...foi...
- Difícil de se lembrar - ele completou. - Mas a parte do ódio fez me lembrar da gente. E de uma maneira incômoda.
- Eu pensei que você não se importasse mais. Que houvesse desistido de mim - ela admitiu.
- Eu pensei nisso. Por essa razão pensei muito qual poesia dar a você, eu suponho.
Lily enrubesceu e não procurou o olhar perscrutador de James.
- E se eu tivesse desistido? - ele perguntou. - O que você teria pensado?
Lily ainda se recusou a encará-lo, então olhou para o chão, respondendo:
- Eu não sei.
- O que você sentiria? - James a pressionou.
- Eu não sei! Eu teria ficado desapontada; é isso que você quer ouvir? Eu não suporto mais isso, as coisas não estão como eu supus que ficariam! - Lily gritou, afastando-se dele rapidamente.
O fato era que ela estava desapontada, e era justamente por estar perdendo a aposta que ela estava se sentindo assim. Era uma situação de tudo ou nada, e Lily não sabia se queria tudo, mas ela sabia que não queria apenas o nada.
- Lily, espere! - James a girou. - Eu pensei que você não fugiria mais.
A garota o encarou.
- Eu também pensei.
- Então não fuja.
- Eu preciso. Não sei o que eu quero. Preciso de tempo pra pensar.
- Não pense. Você pensa demais. Apenas sinta. Diga-me: o que você quer, agora, neste momento?
Lily respirou profundamente, fechando os olhos por um segundo, então olhou novamente para James.
- Agora, neste momento? - ela repetiu.
- Agora. O que você mais deseja?
Lily fechou os olhos novamente, acalmando-se. Ela sabia o que queria, mas será que teria coragem para dizer? Mas não tinha outra reposta, independentemente dos limites que houvesse, da linha que havia sido traçada, Lily já havia transpassado ambos há um bom tempo.
- Eu quero que você me beije.
- Eu tenho esperado por esse pedido há muito tempo - James falou, puxando-a para perto e deslizando sua mão para o pescoço de Lily a fim de trazer seus lábios de encontro aos dele.
O beijo foi gentil, forçando Lily a tomar a liderança. Ela odiou isso, pois significava que não poderia negar tal beijo mais tarde, mas ela tinha que superar. Entreabriu os lábios colados aos de James, aprofundando o beijo, puxando-o para perto. A lembrança do primeiro beijo de ambos apareceu, com a exceção de que era ela quem estava prendendo-o à parede.
Lily deu um passo à frente, suas pernas se encaixando, seu corpo moldando ao dele. Ela se afastou apenas quando o ar se fez necessário, para então puxá-lo novamente de encontro aos seus lábios antes que ele sequer pudesse abrir os olhos.
James gemeu contra a boca dela, passou os braços envolta da cintura de Lily, levantando-a do chão, e girou com ela, fazendo com que a ruiva ficasse prensada à parede. Ela ergueu os braços para puxá-lo para mais perto ainda, ao que James os ergueu sobre sua cabeça, prensando-os na parede e beijando Lily furiosamente. Levantando uma perna, ela envolveu a cintura de James, gemendo o nome dele contra seus lábios. Era triste pensar que ela tinha passado uma semana toda sem isso. Um beijo assim deveria acontecer uma vez ao dia, de hora em hora, como recompensa de bom comportamento...
Sentiu-se atravessando uma piscina de água gelada quando James parou e afastou-se dela, respirando pesadamente.
- Lily, você está me deixando louco.
Ela percebeu que sua perna ainda estava envolta à cintura de James e a abaixou. Isso não era de seu tipo. Precisava ter mais cuidado.
- Então por que você parou?
- Se eu não parar agora, não consigo depois.
Lily sorriu com aquela resposta. Foi um elogio. Bom saber que ela o excitava tanto. Ela estava agradecida em não ser a única com aquelas sensações.
- Você certamente sabe dar a uma garota o que ela quer.
- Minha meta é agradar - retorquiu, olhando avidamente para os lábios de Lily.
- E você faz isso muito bem - ela retorquiu, percebendo o olhar dele.
James abaixou o rosto a fim de beijá-la novamente, mas Lily o afastou.
- E quanto ao que você disse de não conseguir parar depois?
- Quem se importa em parar?
- James...
Ele soltou um gemido frustrado e deu um passo pra trás.
- Eu sei, eu sei. Muito rápido.
- E muito longe - ela replicou.
- Eu sei. E eu quero respeitar você. - Afastou-se dela mais ainda e então falou: - Fique desse lado do corredor que eu não ficarei tão tentando.
Lily riu:
- Eu prometo que não tentarei você.
- Você sozinha já me é tentador - ele falou com os olhos nublados. Ela não fazia idéia do grande efeito que tinha sobre ele.
- Fique do seu lado do corredor - ela ordenou, mas não conseguindo colocar tanta firmeza na voz.
- Seu desejo é uma ordem.
Entretanto, outras coisas haviam acontecido. Ela não tinha certeza de como, mas seu grupo de amigos e o grupo de James começaram a se sentar juntos para as refeições. Ela, claro, sempre ao lado do rapaz. Na verdade, era como se fosse sua namorada.
Com a exceção de que ele não a estava agarrrando.
Lily sentou-se ao seu lugar, ao lado de James, com Alice no outro lado. Frank sentara em frente a James, ao lado de Peter. Ele parecia infeliz, enquanto Alice segurava uma carta em suas mãos com um grande sorriso.
- Então, o que você acha que eu deveria fazer? - ela perguntou.
- Faça o que a deixa feliz - Frank respondeu rispidamente.
- Por que você está irritado? Achei que ficaria feliz por mim - Alice disse magoada.
Lily olhou para os dois amigos, lançando depois um olhar questionador para James. Ele murmurou as palavras "cartas de amor", ao que ela olhou novamente para Alice e Frank, para, em seguida, lançar um olhar desesperado para James.
- Hei, Frank, você quer dar uma volta comigo e com o Peter? - James perguntou.
- Nós vamos dar uma volta? - Peter perguntou.
James chutou o amigo por baixo da mesa.
- 'Tá, tudo bem - Frank respondeu, saindo do salão com os dois.
Lily suspirou, aliviada. As coisas entre Alice e Frank tinham que funcionar. Aqueles dois obviamente não estavam fazendo nada para ajudar.
- Então, Alice, o que essa carta diz? - Lily perguntou, tentando parecer casual.
Naquele momento, Sirius e Remus praticamente deslizaram para o banco, sentando em frente a Alice e Lily.
- Onde vocês dois estavam?
- Eu estava na biblioteca, tive que voltar pra lá. O Sirius estava...bem, eu me encontrei com ele no meio do caminho. Não quero entrar em detalhes.
Lily sentiu-se grata com isso. Detalhes não era algo que ela gostaria de ouvir tão cedo.
- Remus, eu te amo - falou.
Ela voltou então sua atenção para Alice, que encarava Remus intensa e inquiridoramente. Ou, para ser preciso, o prato dele.
- Você quer meu biscoito?
- Ah, sim, por favor. Tão gentil você oferecê-lo - ela disse, arrebatando o biscoito.
- Hei, eu também quero um biscoito extra - Sirius queixou-se.
Lily rolou os olhos, segurando os seus biscoitos.
- Você provavelmente existe para comer.
- Quem era ela? - Alice perguntou interessada.
Sirius deu de ombros, indiferente, mais ocupado em comer do que responder.
- Era a Amanda? Ela realmente gostaria de se desculpar - Lily falou.
- Ela se desculpou - respondeu Sirius, olhando para o café-da-manhã intacto de Lily, a qual rolou os olhos mais uma vez e o deu para Sirius.- Acho que te amo, Lily.
Ela ignorou essa resposta.
- Então, você e ela são amigos de novo?
- Eu espero que sim, pelo que vi - Remus falou, olhando para o amigo, ao seu lado, que só fazia enfiar a comida garganta abaixo. - Você mastiga, por acaso?
- Somos amigos.
- Aposto que sim - Alice retorquiu.
- Estamos nos conhecendo.
- Imagino o jeito que vocês estão fazendo isso - Alice continuou, olhando para suas unhas.
- Somos apenas amigos.
- Preciso de um amigo assim.
- Um dia, Alice, você encontrará um cara que te agrade - Sirius começou.
- Mas eu tenho um! Veja, Lily, eu tenho um admirador secreto - Alice falou, mostrando-lhe a carta.
- Tem alguma idéia de quem seja? - Remus perguntou.
- Não, mas ouçam o que ele escreveu, gente. Ele citou Shakespeare: "Poderei comparar-te a um dia de verão?"
- "Mas tu és mais suave e muito mais formosa; Em Maio a ventania sacode os botões de rosa" - Sirius a completou. Alice parou de ler.
- Você conhece Shakespeare?
- Todo idiota o conhece. Ao menos as três primeiras linhas. Eu sempre uso isso.
Alice olhou para o papel tristemente.
- Então isso não é romântico?
- Muito romântico.
Alice olhou para a carta, desapontada. Lily concordou com Sirius intimamente; comparar alguém com um dia de verão era realmente fácil.
- Apenas fale com ele e veja o que sente. Ele pode gostar de você - Remus sugeriu.
- Mas eu não sei quem ele é - Alice lamentou.
Lily estava grata. Frank não precisava de competição alguma.
- Quem flerta com você? - Sirius perguntou.
- Eu não sei. Nem sei como se flerta.
- Toda garota sabe flertar - ele argumentou.
- Não eu.
- Até você.
- Não, eu não sei.
- Sim, você sabe.
- Eu não sei flertar.
- Você sabe sim.
Lily ergueu a mão e tapou a boca de Alice.
- Eu estava esperando pra ver até onde eles iriam - Remus disse, sarcasticamente desapontado.
- Você sabe flertar - Lily falou. - Vocês estavam flertando enquanto brigavam.
- Estávamos?
Na verdade, Lily achava que não, mas ela não queria mais saber daquela discussão. Especialmente uma que se igualava às de alguém que estava no jardim de infância.
- Eu sabia que você gostava de mim - Sirius disse.
- O bastante para jogar suco de abóbora na sua cabeça - Alice comentou.
Sirius não respondeu, mas Lily percebeu que ele perfurou os ovos em seu prato particularmente forte.
- O que eu deveria fazer? Vocês são garotos, me ajudem!
- Para começar, nada de derramar suco de abóbora na cabeça dele - Lily advertiu segurando o braço de Sirius, pois ela tinha certeza que ele estava a ponto de arremessar seu garfo em Alice.
- Eu tiro completamente o que eu disse sobre amar você - Sirius falou.
- Estou com o coração despedaçado. Sério.
Alice bateu o punho na mesa.
- Oláá! E o meu admirador secreto? Preciso de ajuda!
- Você quer um admirador secreto ou você só gosta da idéia? - Remus perguntou. Ele tinha uma maneira de perguntar que deixava a pergunta menos indelicada.
- A idéia, eu acho. É assustador, na verdade. Um garoto que te escreve cartas, mas você não faz idéia de quem seja. Ou não sabe que sabe.
Lily levantou. Ela poderia ficar ali e ouvir aqueles três durante um bom tempo, mas ela queria saber se Frank estava bem.
- Vou ver o Frank.
- Descubra por que ele estava tão irritado. Ele deveria estar feliz por alguém gostar de mim.
- Você não tem pista alguma? - Sirius perguntou.
Lily se foi antes que eles iniciassem outra discussão. Ela tinha que encontrar Frank. E James.
Quanto a James, Lily o encontrou sentado perto do lago, perdido em pensamentos.
- James? - ela o chamou, sentando próximo a ele.
O rapaz abriu os olhos e a viu bem próxima a ele.
- Falou com o Frank?
- Ele está bem. Pretende contar logo a ela.
Lily pensou. Alice gostaria disso? Será que eles ficariam bem caso ela não quisesse nada com Frank?
- Não se preocupe, Lily. Vocês três sempre serão vocês três.
A garota rolou os olhos, encarando-o. Por que ele era tão indiferente? Por que ele não estava tentando nada?
- Sabe, o admirador secreto de Alice lhe enviou uma poesia. Shakespeare. Eu nunca recebi uma poesia de alguém, antes.
James levou aquilo como uma óbvia sugestão. Seu plano estava funcionando. Não havia tocado em Lily, tentado nada, e estava deixando-a louca. O que provava que ele poderia vencer a aposta. E, se ele tivesse sorte, provando também que Lily o queria.
- Se você quiser uma poesia, eu lhe dou uma. De Shakespeare, se é o que você quer.
- Você conhece alguma?
- Aprenderei uma por você.
- OK, então.
Havia um tom de desafio na voz dela, e James se sentiu suspirando. Isso significava que, na verdade, ele deveria aprender uma poesia e recitar para ela.
Lily ainda ficou olhando para James, ansiando perguntar por que ele não tentara nada.
- James...
- O quê?
- Esqueça - ela disse rapidamente, concentrando-se numa nuvem em forma de golfinho.
James sorriu consigo mesmo. Ela queria que ele vencesse a aposta.
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Foi numa patrulha pelos corredores, àquela noite, que ela o viu de novo, tendo esquecido sobre a poesia. Lily estava mais preocupada com o desinteresse dele pelos seus lábios.
- Oi, James. Podemos fazer a ronda rapidamente, essa noite? Prometi a Alice que a ajudaria com a tarefa.
- Eu tenho seu Shakespeare.
- O quê?
- Você disse que queria uma poesia, então, eu lhe encontrei uma.
Lily então compreendeu.
- Ah, aquilo. Não foi sério.
- Foi sim.
- Bem, talvez um pouco - ela admitiu.
- Você quer ouvir ou não?
- Sim, dê pra mim.
- Darei a qualquer momento...
- O poema, James.
- Certo. Então, 'tá. Lá vai:
Que vergonha! Negue que tu ames alguém,
Que tão negligente és contigo mesma,
Admite que muitos te amem,
Mas que tu a ninguém o fazes, é evidente;
Pois possuis um ódio assassino
Contra ti mesmo conspirando,
Tentando tua beleza varrer do mapa,
O que preservar teria de ser seu principal interesse
Muda teu pensamento, que eu possa mudar de idéia!
Deveria o ódio ficar mais ao abrigo do que o doce amor?
Sê tal qual és, graciosa e bondosa.
Ou ao menos a ti sejas bondosa;
Faça um outro de ti mesma por amor a mim,
Para que a beleza possa ainda sobreviver nos teus, ou em ti.
Lily o encarou, atordoada. Já era muito ele aprender um poema, que dirá aprender um que os retratasse tão bem. Deveria o ódio ficar mais protegido do que o amor?; mudando pensamentos e conceitos; ódio assassino; mudar seu jeito...
- James, eu...eu não pensei que você fosse realmente me dar uma poesia. E essa foi...foi...
- Difícil de se lembrar - ele completou. - Mas a parte do ódio fez me lembrar da gente. E de uma maneira incômoda.
- Eu pensei que você não se importasse mais. Que houvesse desistido de mim - ela admitiu.
- Eu pensei nisso. Por essa razão pensei muito qual poesia dar a você, eu suponho.
Lily enrubesceu e não procurou o olhar perscrutador de James.
- E se eu tivesse desistido? - ele perguntou. - O que você teria pensado?
Lily ainda se recusou a encará-lo, então olhou para o chão, respondendo:
- Eu não sei.
- O que você sentiria? - James a pressionou.
- Eu não sei! Eu teria ficado desapontada; é isso que você quer ouvir? Eu não suporto mais isso, as coisas não estão como eu supus que ficariam! - Lily gritou, afastando-se dele rapidamente.
O fato era que ela estava desapontada, e era justamente por estar perdendo a aposta que ela estava se sentindo assim. Era uma situação de tudo ou nada, e Lily não sabia se queria tudo, mas ela sabia que não queria apenas o nada.
- Lily, espere! - James a girou. - Eu pensei que você não fugiria mais.
A garota o encarou.
- Eu também pensei.
- Então não fuja.
- Eu preciso. Não sei o que eu quero. Preciso de tempo pra pensar.
- Não pense. Você pensa demais. Apenas sinta. Diga-me: o que você quer, agora, neste momento?
Lily respirou profundamente, fechando os olhos por um segundo, então olhou novamente para James.
- Agora, neste momento? - ela repetiu.
- Agora. O que você mais deseja?
Lily fechou os olhos novamente, acalmando-se. Ela sabia o que queria, mas será que teria coragem para dizer? Mas não tinha outra reposta, independentemente dos limites que houvesse, da linha que havia sido traçada, Lily já havia transpassado ambos há um bom tempo.
- Eu quero que você me beije.
- Eu tenho esperado por esse pedido há muito tempo - James falou, puxando-a para perto e deslizando sua mão para o pescoço de Lily a fim de trazer seus lábios de encontro aos dele.
O beijo foi gentil, forçando Lily a tomar a liderança. Ela odiou isso, pois significava que não poderia negar tal beijo mais tarde, mas ela tinha que superar. Entreabriu os lábios colados aos de James, aprofundando o beijo, puxando-o para perto. A lembrança do primeiro beijo de ambos apareceu, com a exceção de que era ela quem estava prendendo-o à parede.
Lily deu um passo à frente, suas pernas se encaixando, seu corpo moldando ao dele. Ela se afastou apenas quando o ar se fez necessário, para então puxá-lo novamente de encontro aos seus lábios antes que ele sequer pudesse abrir os olhos.
James gemeu contra a boca dela, passou os braços envolta da cintura de Lily, levantando-a do chão, e girou com ela, fazendo com que a ruiva ficasse prensada à parede. Ela ergueu os braços para puxá-lo para mais perto ainda, ao que James os ergueu sobre sua cabeça, prensando-os na parede e beijando Lily furiosamente. Levantando uma perna, ela envolveu a cintura de James, gemendo o nome dele contra seus lábios. Era triste pensar que ela tinha passado uma semana toda sem isso. Um beijo assim deveria acontecer uma vez ao dia, de hora em hora, como recompensa de bom comportamento...
Sentiu-se atravessando uma piscina de água gelada quando James parou e afastou-se dela, respirando pesadamente.
- Lily, você está me deixando louco.
Ela percebeu que sua perna ainda estava envolta à cintura de James e a abaixou. Isso não era de seu tipo. Precisava ter mais cuidado.
- Então por que você parou?
- Se eu não parar agora, não consigo depois.
Lily sorriu com aquela resposta. Foi um elogio. Bom saber que ela o excitava tanto. Ela estava agradecida em não ser a única com aquelas sensações.
- Você certamente sabe dar a uma garota o que ela quer.
- Minha meta é agradar - retorquiu, olhando avidamente para os lábios de Lily.
- E você faz isso muito bem - ela retorquiu, percebendo o olhar dele.
James abaixou o rosto a fim de beijá-la novamente, mas Lily o afastou.
- E quanto ao que você disse de não conseguir parar depois?
- Quem se importa em parar?
- James...
Ele soltou um gemido frustrado e deu um passo pra trás.
- Eu sei, eu sei. Muito rápido.
- E muito longe - ela replicou.
- Eu sei. E eu quero respeitar você. - Afastou-se dela mais ainda e então falou: - Fique desse lado do corredor que eu não ficarei tão tentando.
Lily riu:
- Eu prometo que não tentarei você.
- Você sozinha já me é tentador - ele falou com os olhos nublados. Ela não fazia idéia do grande efeito que tinha sobre ele.
- Fique do seu lado do corredor - ela ordenou, mas não conseguindo colocar tanta firmeza na voz.
- Seu desejo é uma ordem.
Capítulo 13
- Assim?
- Lily, se você segurar a vassoura assim, vai cair.
- Eu não posso cair até que você me deixe voar.
- Pois eu não vou deixar você voar, segurando a vassoura dessa maneira.
Lily o encarou.
- Se estou fazendo errado, por que não me mostra a maneira correta?
James disfarçou um sforriso malicioso. Lily realmente pecava em algumas coisas que eram tão simples.
- Venha aqui - ele disse, acenando com a mão para que ela se aproximasse. Lily foi até ele.
- O quê?
- Suba - retorquiu James, indicando sua vassoura. Lily fez o que ele disse, mas, não sem reclamar significativamente.
James sentou-se atrás dela, ajustando suas mãos na vassoura. Lily retesou-se. Como ele esperava que ela se concentrasse, quando ele estava tão próximo a ela, seu corpo tocando o dela, a respiração de James fazendo-lhe cócegas na orelha, as mãos dele em sua cintura...
- ...assim, você pode voar, e eu ficarei aqui para impedir que qualquer acidente fatal aconteça a nós dois.
- O quê? - Lily perguntou, apenas captando a última coisa que ele falara. James realmente tinha que tocá-la? Isso era muita distração.
- Você estava prestando atenção?
- Hum... Não, eu... me distraí. - Vendo a satisfeita e maliciosa expressão no rosto dele, Lily corou. - Eu nunca disse que era você quem me distraía.
- Claro, porque, obviamente, você não sente nada por mim, o que a leva a confiar em mim e ter a certeza de que não cairá da vassoura e não vai morrer.
- Ah, cale a boca.
Agarrando a vassoura, Lily tentou voar. Ela não foi muito bem e quase bateu numa árvore.
- Lily, cuidado!
Duas horas (e cinco acidentes quase fatais) depois, Lily estava apta a usar uma vassoura sozinha e, se voasse ao redor do campo de quadribol, poderia até apostar uma corrida segura. Entretanto, ela permanecia ao lado de James.
- Hei, James, olhe, são seus amigos. Eles parecem tão pequeninos daqui de cima.
James olhou para onde Lily apontava e viu Sirius, Remus e Peter caminhando. Os dois acenaram do alto.
- Aquela é a Lily numa vassoura? - Peter perguntou.
- Aquela é a Lily na minha vassoura? - Sirius retorquiu.
- Acho que sim. Mas ela não parece tão bem assim - Remus disse olhando para o casal.
- Quebre-a que você terá que me pagar outra! - Sirius gritou para Lily ao vê-la alcançar, perigosamente, uma árvore antes de James puxá-la de volta.
- Estou descendo até aí - ela respondeu.
- Lily, espere, não lhe ensinei como pousar... - James falou, assistindo Lily ir em direção ao chão, parar de repente e cair, aterrizando em cima de Remus.
Pousando ao lado dos quatro, onde Sirius e Peter mais riam do que ajudavam Lily e Remus a se levantarem, James os alcançou e puxou a garota, colocando um braço ao redor de sua cintura, notando que as pernas dela tremiam. Sirius e Peter ergueram Remus, ao que todos se olharam.
- Desculpe, Remus. Obrigada por amparar minha queda.
- Que bom que ajudei.
Lily decidiu deixar James com os amigos e foi procurar Alice e Frank. Ela precisava conversar com eles sobre James e o fato de ter descoberto que gostava dele. Não que ela quisesse admitir, ao menos não para James, mas uma garota poderia sempre confiar em seus melhores amigos.
Ela foi até o quarto de Frank, onde os três ficavam juntos a maior parte do tempo, mas parou à porta assim que viu o que estava acontecendo. Frank e Alice estavam sentados no chão, inclinados sobre um livro e muito perto um do outro.
- Seu cabelo está fazendo cócegas no meu rosto - Frank disse, colocando os cabelos de Alice atrás da orelha dela.
A garota virou o rosto para encará-lo, e embora o gesto de Frank não fosse nada além de amizade, a mão do rapaz se demorou, então caiu lentamente enquanto ambos se encaravam em silêncio.
Lily odiou interromper um momento daqueles, mas sabia que seria o melhor antes que algo acontecesse e os amigos percebessem sua presença. Ela pigarreou, ao que ambos a olharam com as faces coradas.
- Lily, oi, não a vimos aí - falou Alice.
Isso foi mais que óbvio.
- Acabei de chegar - mentiu. - Você está se sentindo melhor, Frank?
- Não muito. Mas não estou tão ruim quanto a Alice. Ela está de ressaca.
Alice sorriu e Lily notou que havia bolsas embaixo dos olhos da amiga. Ela não parecia nada bem.
- Eu me pergunto como não fiquei com ressaca - Lily refletiu.
- Você ficou bêbada? Lily Evans bebendo? - Alice falou com um choque exagerado.
- Não foi de propósito. Surpreendo-me em não ter ficado de ressaca.
- Quem se importa? É maravilhoso! Não consigo me lembrar de nada. Frank me disse que eu estava tentando dançar, no bar. Eu não consigo dançar nem sóbria.
Lily pensou um pouco. Ela havia acordado do lado de fora do escritório de Slughorn. Havia estado com Sirius e Remus. Slughorn tinha uma porção de poções... Ela ofegou:
- Eu aposto que eles roubaram alguma coisa do Slughorn para me deixar sóbria.
- Quem? - Alice e Frank perguntaram ao mesmo tempo.
- Sirius e Remus.
- Da próxima vez, peça a eles para roubarem o bastante para dois - aborreceu-se Alice.
Lily viu a amiga acomodar-se melhor no chão e fechar os olhos. Ela parecia pior do que simplesmente sofrendo de ressaca.
- Frank, a sua doença não é contagiosa, é?
Frank olhou para Alice, seu rosto ficando pálido de horror. Ele então levou Lily para fora do quarto, na direção do salão comunal.
- Eu não posso tê-la deixado ficar doente. Ela nunca... - ele parou o que estava falando.
- Ela nunca gostaria de você? - Lily terminou.
- Eu achei que, sabe, se eu adoecesse, ela se preocuparia comigo e perceberia que gostava de mim. Mas, tudo o que fiz foi deixá-la doente.
Lily sorriu, dando um tapa leve no braço do amigo, condescendente. Foi uma idéia infeliz, mas Frank amava Alice.
- Ela ficará bem. E eu tenho certeza que ela sente o mesmo por você, só lhe dê tempo. É difícil ir de um sentimento que você sempre sentiu para um completamente novo.
Frank assentiu.
- Mas e você? Como está indo com a aposta?
- Não tenho certeza. Quero dizer, ele está ganhando, mas, não sei... Ah, está tudo tão confuso. Ele é James Potter, eu supus que o odiava, que queria que ele perdesse essa aposta e nunca mais falasse comigo novamente.
- E agora?
Lily soltou um gemido, deitando a cabeça no ombro de Frank.
- Eu não sei.
- Só você pode decidir.
- Eu sei. Quando a vida ficou tão difícil? - Lily perguntou num muxoxo.
- Quando ela foi fácil?
Naquela noite, Lily disse a James que não patrulharia os corredores com ele, porque Alice estava com muita febre. O rapaz se ofereceu para ficar com ela e ajudar a cuidar da amiga, mas Lily lhe lembrou que ele era monitor e tinha deveres.
Lily passou a noite inteira ao lado de Alice, deixando-a apenas para se encontrar com Frank, o qual não estava em seu quarto. Um de seus companheiros de dormitório disse que ele havia ido pegar uma poção com o Prof. Slughorn. Lily esperou que isso não significasse que o amigo fora roubar uma poção, mas ela sabia que, caso ele fosse apanhado, James o livraria.
No caminho de volta para o dormitório feminino, Lily topou com Siris e Peter (Remus estava acompanhando James) e mandou-os procurar por Frank. Eles o encontraram, mas, infelizmente, foram pêgos no flagra, deixando, furtivamente, o escritório de Slughorn. Lily não soube disso, uma vez que não deixou Alice sozinha novamente.
Na manhã seguinte, ela estava tão doente quanto Alice, mas, tendo perdido as aulas do dia anterior por ter fugido com James, não quis fazê-lo de novo. Então, ela acordou Alice e as duas desceram, aos tropeços, as escadas até o salão comunal.
James as viu tão logo elas chegaram ao salão e, rapidamente, ajudou Lily a alcançar o sofá. Fez, então, depois, o mesmo com Alice, que parecia prestes a desabar.
- Lily, você não pode ir às aulas desse jeito.
- Eu tenho que ir. Não posso perder outro dia de aula - ela disse sonolenta. Havia passado a noite toda em claro.
- Você está doente. E a sua aparência... Não importa a sua aparência, só digo que não está boa. As duas. Vocês deveriam voltar a dormir.
Lily olhou para cima, a fim de olhar James, e teve uma idéia. Não que ela estivesse apta a se concentrar.
- Você tem que tomar notas pra mim. E para Alice. E também nossos trabalho e tarefas. E diga aos professores por que faltamos.
- Pode deixar. Agirei como um bom aluno.
Lily se entregou, fechando os olhos.
- Bom - falou -, estou contando com você.
- Você tem certeza que não quer que eu fique e tome conta de vocês duas? - ele se ofereceu. Lily parecia mal, e embora pessoas adoentadas não fossem sua especialidade, James tomaria conta de Lily e até de Alice, uma vez que ela era a melhor amiga da ruiva.
- Quem irá pegar notas e as tarefas por mim? Você tem que ir - Lily discutiu.
- Remus pode fazer isso. Eu copio tudo dele, de qualquer maneira.
- Eu posso fazer o quê? - Remus perguntou ao chegar ao salão comunal; Sirius, Peter e Frank logo atrás.
Em uma tentativa de esconder a poção que havia roubado, Frank teve que bebê-la, ficando com a saúde perfeita. No entanto, ficou em detenção, mas ele não teve muitos problemas, uma vez que foi sua primeira transgressão.
Sirius e Peter eram diferentes. Peter ganhou detenção para cada noite daquela semana e Sirius teve que dizer adeus a todos os seus planos, porque ficaria em detenção até o próximo semestre.
- Ah, não! A Lily também, não - Frank falou ao ver as garotas.
- Temo que sim. Ela quer que eu vá e tome nota das aulas por ela. Acho que alguém deveria cuidar delas - James falou.
- Eu fico com elas - Frank ofereceu-se.
- Não, você não pode perder mais aulas. Você já perdeu muitas, quando esteve doente - Alice argumentou.
Os rapazes olharam para as garotas, pensando.
- Tive uma idéia - Sirius falou. - Vocês três podem ir para a aula, Peter e eu ficaremos aqui com elas. Eu tenho detenção pro resto da minha vida, então, não há muito o que eles possam fazer para me manter na linha.
- Por que eu fico? - Peter perguntou, olhando para as garotas doentes, desgostoso. Certo que elas não eram visões agradáveis, mas isso não era algo muito bom para ser reconhecido.
- Porque elas são duas e eu sou um.
Peter consentiu, derrotado:
- Tudo bem, nós cuidaremos delas, vocês podem ir pra aula.
Os três foram, James e Frank lanfçando olhares preocupados por cima do ombro. Lily e Alice acompanharam-nos com o olhar, também preocupadas: Sirius e Peter eram as últimas pessoas que elas queriam como babás. Lily olhou para seu relógio. Seria um longo dia...
Ao fim do dia, James ficou surpreso ao ver todos os quatro amontoados embaixo de cobertores, parecendo acabados.
- Era contagioso - Peter explicou.
- Nossa nova punição é suportar isso, em vez da detenção - completou Sirius.
Lily fungou:
- Eles não nos verão. Disseram que merecemos ficar doentes por roubar poções.
- Mas, você e Alice não roubaram nada - James falou olhando para eles.
- Só que eles roubaram por nós, o que é tão ruim quanto, aparentemente - Alice falou.
- Quanto tempo vocês têm que ficar assim? - Remus perguntou, olhando para Peter e Sirius.
- Uma noite. Então, segundo eles aprenderemos nossa lição, e então cuidarão da gente - explicou Sirius, ao que Peter adicionou:
- Isso não é justo.
- Eles acham que estamos fingindo, fazendo parecer pior para que não tenhamos mais problemas - falou Alice.
- Esse tipo de punição é correto? - perguntou James para Remus.
- Acho que não.
- Deveríamos contar então para Dumbledore.
- Não - Sirius disse rapidamente. - Isso é melhor que detenção.
Peter concordou e Alice e Lily disseram que estavam dispostas a suportar isso pelo que os garotos fizeram, na noite passada.
- Imagino que isso significa que estamos brincando de enfermeiros - James falou para Remus e Frank. Este perguntou:
- Há algo que vocês queiram?
Lily e Alice olharam uma para outra e falaram em uníssono:
- Chocolate.
- Uísque de Fogo - Sirius falou. James não estava certo se ele estava falando sério ou não. Decidiu-se pelo não.
- E você, Peter? - perguntou Remus.
- Só me mate agora.
Os três decidiram que isso foi uma brincadeira e saíram para buscar o chocolate das garotas.
Eles levaram mais tempo que o esperado, pensaram os adoentados, e o quanto se permitia a uma pessoa doente, os quatro estavam muito irritantes. Eles foram separados em duplas em dois sofás: Alice e Peter em um, com a garota usando a perna dele como travesseiro, e Lily e Sirius em outro.
Alice e Sirius haviam discutido, então, Alice roubou o cobertor dele, ao que o rapaz insistia a Lily para que ela dividisse o dela.
- Pegue o seu!
- Mas o meu está com ela.
- Ela está a um metro. Além disso, Alice o devolverá.
- Não, não vou. Ele disse que eu era feia.
- Ele disse que você parecia mal - Lily falou - e eu concordo. Todos parecem péssimos, quando doentes.
- Bem, não vou devolver enquanto ele não se desculpar - Alice falou, teimosa.
- Viu! Dê-me metade do seu.
- Apenas se desculpe!
- Não.
- Então me deixe em paz. Não vou dividir o meu cobertor.
Peter fechou os olhos, ignorando os outros três. Sua perna estava matando-o, mas achou melhor ficar quieto e manter a paz. A qual estava deixando-os novamente:
- Hei, Sirius, aquela não é a sua namorada? - Alice perguntou.
- Onde? - ele retorquiu, agarrando Lily, a qual estava se espreguiçando, colocando-a à sua frente juntamente com o cobertor, cobrindo-os.
- O que você está fazendo? - ela ciciou.
- Escondendo-me.
- Alice estava tentando te assustar, seu idiota. Como ela poderia entra no nosso salão comunal?
- Oh, ela está voltando - Alice gritou, alegre.
Lily sentiu um pedaço do cobertor ser erguido e viu James, que parecia estar se divertindo.
- Está tudo bem por aqui? - ele perguntou.
A garota agradeceu por ele estar apenas se divertindo. Se ela o visse debaixo de um cobertor com alguma garota por cima dele, teria ficado louca.
- Ele está me usando como um escudo humano.
- Eu não quero nem saber - James falou, zombando, mas sentando-a corretamente. Então, continuou: - Conversamos com Madame Pomfrey, ela achou que vocês estavam fingindo. A convencemos do contrário, e ela está esperando por vocês. Ela sentiu-se mal. Falou que vai parar de ficar fazendo perguntas e vai apenas curar os alunos, daqui pra frente.
- Verdade? - Peter perguntou, esperançoso.
- É, ela está esperando - respondeu Remus.
- Bom... Então não ficarei mais doente e não parecerei mais um lixo - Alice falou, ficando de pé, mas o corpo oscilando. Frank apressou-se a ladeá-la.
- Você não parece um lixo - ele disse. - Mesmo doente, para mim, você continua linda.
- Você tem que dizer algo assim, já que é meu melhor amigo.
- Eu não sinto minha perna - falou Peter.
- Eu sinto as minhas. Elas parecem gelatina - retorquiu Lily. Então soltou um grito curto quando James a ergueu do chão. - O que você está fazendo?
- Carregando-a. Assim, você não cai.
- Me derruba que eu te bato.
- Se eu te derrubar, eu mesmo me bato.
Lily fechou os olhos e repousou a cabeça no ombro de James.
- Você é meu cavaleiro numa armadura reluzente - ela disse sarcasticamente, mas ele percebeu que era apenas da boca pra fora.
- Você com certeza não me bateria como uma donzela angustiada. E por que eu não posso ser um príncipe encantado, em vez de um maldito cavaleiro?
- Porque isso requer que você seja charmoso - Lily disse secamente.
Frank colocou seu braço ao redor da cintura de Alice e caminhou com ela na direção da porta. James os seguiu, com Lily, esperando que os outros os alcançassem. Peter estava chacoalhando a perna dormente. Sirius estava deitando no sofá, parecendo que morreria, caso se movesse.
- Então, se James está carregando a Lily, quem vai me carregar? Remus? - falou, abrindo os braços. O olhar que Remus lhe enviou foi claramente um não, então, ele se levantou agarrando e puxando Peter para ajudá-lo.
Depois que todos foram atendidos por Madame Pomfrey, eles foram passear pelo campo de quadribol. Lily sentou-se ao lado de James e se lembrou que queria falar sobre ele com Alice e Frank.
Mas, o que havia para ser dito? As coisas haviam mudado, ela tinha que aceitar isso. Estava realmente agindo como sua namorada? Havia deixado seus amigos doentes, mas ele não ficou irritado. James tinha se disposto a cuidar dela, quando ficou ruim, e ela sempre cuidou de si mesma.
Era seguro dizer que ele sempre estaria ao seu lado.
Ambos haviam deixado os outros para trás e sentado mais afastados. Eles ficaram em silêncio por um tempo, até Lily dizer:
- Isso é estranho.
- O quê?
- Nós. Sentando juntos e por tempos longos. Não é o que eu esperava. – Lily fez uma pausa e então continuou: - Você não é o que eu esperava.
- As pessoas dificilmente são.
Eles continuaram sentados, o silêncio os tomando. Este não ocorria necessariamente, como se não houvesse mais palavras a serem ditas, e sim por ter palavras que Lily queria desesperadamente dizer, mas não saberia como. Não havia palavras a serem ditas, porque ela nunca sentira algo parecido, antes.
- Sabe, eu não consigo me lembrar da última vez que fiz algo espontâneo, antes de fugir das aulas, com você. Eu não quero que as coisas sigam um caminho certo, eu quero fazer mais, ver mais. Só que é um pouco difícil pra mim, transpassar meus próprios limites e minhas resistências.
James a observou enquanto ela falava tudo isso, traduzindo para o que ela realmente queria dizer: eu quero isso, quero "nós", mas estou com medo. Era o mais perto que Lily estava de admitir seus sentimentos e até onde ela chegaria, e James sabia. Mas ele conseguiria esperar, esperar que ela dissesse as palavras.
Ele se levantou, estendendo sua mão.
- Você quer ser espontânea? Dance comigo.
- O quê?
- Dance comigo.
- Você sabe dançar? – ela perguntou, segurando a mãe dele.
- Eu te seguro, você me segura, a gente balança em círculos. Não é difícil, é?
Lily se permitiu ficar bem perto de James e dançar com ele. Dançar sob as estrelas era um gesto romântico horrivelmente clichê, mas, com ele, parecia algo original, novo. Tudo lhe parecia novo, com ele.
Ela deixou a cabeça descansar no ombro dele, fechando os olhos. Por que as coisas haviam se transformado daquele jeito, numa terrível bagunça?
Era um momento perfeito, era romântico e doce. Uma grande oportunidade para James beijá-la, mas ele não estava tentando fazê-lo. Ele deveria estar pensando que, se tentasse beijá-la agora, ela não permitiria. Então, por que ela não o beijava?
- Você já fez isso alguma vez, antes?
- Dançar com uma garota no campo de quadribol? Não, você é a primeira.
- Quero dizer dançar sem música. Estamos em ritmos diferentes.
- Nós sempre estivemos. Mas, talvez, não mais.
Verdade, James sempre esteve um passo à frente dela, ou cinco ou dez. Ele era apressado, imprevisível. Ela era calma e constante. Se a relação deles era como uma dança, ela simplesmente tinha ficado parada, mas com ele ao seu lado o tempo todo.
- Talvez, não mais...
- Lily, se você segurar a vassoura assim, vai cair.
- Eu não posso cair até que você me deixe voar.
- Pois eu não vou deixar você voar, segurando a vassoura dessa maneira.
Lily o encarou.
- Se estou fazendo errado, por que não me mostra a maneira correta?
James disfarçou um sforriso malicioso. Lily realmente pecava em algumas coisas que eram tão simples.
- Venha aqui - ele disse, acenando com a mão para que ela se aproximasse. Lily foi até ele.
- O quê?
- Suba - retorquiu James, indicando sua vassoura. Lily fez o que ele disse, mas, não sem reclamar significativamente.
James sentou-se atrás dela, ajustando suas mãos na vassoura. Lily retesou-se. Como ele esperava que ela se concentrasse, quando ele estava tão próximo a ela, seu corpo tocando o dela, a respiração de James fazendo-lhe cócegas na orelha, as mãos dele em sua cintura...
- ...assim, você pode voar, e eu ficarei aqui para impedir que qualquer acidente fatal aconteça a nós dois.
- O quê? - Lily perguntou, apenas captando a última coisa que ele falara. James realmente tinha que tocá-la? Isso era muita distração.
- Você estava prestando atenção?
- Hum... Não, eu... me distraí. - Vendo a satisfeita e maliciosa expressão no rosto dele, Lily corou. - Eu nunca disse que era você quem me distraía.
- Claro, porque, obviamente, você não sente nada por mim, o que a leva a confiar em mim e ter a certeza de que não cairá da vassoura e não vai morrer.
- Ah, cale a boca.
Agarrando a vassoura, Lily tentou voar. Ela não foi muito bem e quase bateu numa árvore.
- Lily, cuidado!
Duas horas (e cinco acidentes quase fatais) depois, Lily estava apta a usar uma vassoura sozinha e, se voasse ao redor do campo de quadribol, poderia até apostar uma corrida segura. Entretanto, ela permanecia ao lado de James.
- Hei, James, olhe, são seus amigos. Eles parecem tão pequeninos daqui de cima.
James olhou para onde Lily apontava e viu Sirius, Remus e Peter caminhando. Os dois acenaram do alto.
- Aquela é a Lily numa vassoura? - Peter perguntou.
- Aquela é a Lily na minha vassoura? - Sirius retorquiu.
- Acho que sim. Mas ela não parece tão bem assim - Remus disse olhando para o casal.
- Quebre-a que você terá que me pagar outra! - Sirius gritou para Lily ao vê-la alcançar, perigosamente, uma árvore antes de James puxá-la de volta.
- Estou descendo até aí - ela respondeu.
- Lily, espere, não lhe ensinei como pousar... - James falou, assistindo Lily ir em direção ao chão, parar de repente e cair, aterrizando em cima de Remus.
Pousando ao lado dos quatro, onde Sirius e Peter mais riam do que ajudavam Lily e Remus a se levantarem, James os alcançou e puxou a garota, colocando um braço ao redor de sua cintura, notando que as pernas dela tremiam. Sirius e Peter ergueram Remus, ao que todos se olharam.
- Desculpe, Remus. Obrigada por amparar minha queda.
- Que bom que ajudei.
Lily decidiu deixar James com os amigos e foi procurar Alice e Frank. Ela precisava conversar com eles sobre James e o fato de ter descoberto que gostava dele. Não que ela quisesse admitir, ao menos não para James, mas uma garota poderia sempre confiar em seus melhores amigos.
Ela foi até o quarto de Frank, onde os três ficavam juntos a maior parte do tempo, mas parou à porta assim que viu o que estava acontecendo. Frank e Alice estavam sentados no chão, inclinados sobre um livro e muito perto um do outro.
- Seu cabelo está fazendo cócegas no meu rosto - Frank disse, colocando os cabelos de Alice atrás da orelha dela.
A garota virou o rosto para encará-lo, e embora o gesto de Frank não fosse nada além de amizade, a mão do rapaz se demorou, então caiu lentamente enquanto ambos se encaravam em silêncio.
Lily odiou interromper um momento daqueles, mas sabia que seria o melhor antes que algo acontecesse e os amigos percebessem sua presença. Ela pigarreou, ao que ambos a olharam com as faces coradas.
- Lily, oi, não a vimos aí - falou Alice.
Isso foi mais que óbvio.
- Acabei de chegar - mentiu. - Você está se sentindo melhor, Frank?
- Não muito. Mas não estou tão ruim quanto a Alice. Ela está de ressaca.
Alice sorriu e Lily notou que havia bolsas embaixo dos olhos da amiga. Ela não parecia nada bem.
- Eu me pergunto como não fiquei com ressaca - Lily refletiu.
- Você ficou bêbada? Lily Evans bebendo? - Alice falou com um choque exagerado.
- Não foi de propósito. Surpreendo-me em não ter ficado de ressaca.
- Quem se importa? É maravilhoso! Não consigo me lembrar de nada. Frank me disse que eu estava tentando dançar, no bar. Eu não consigo dançar nem sóbria.
Lily pensou um pouco. Ela havia acordado do lado de fora do escritório de Slughorn. Havia estado com Sirius e Remus. Slughorn tinha uma porção de poções... Ela ofegou:
- Eu aposto que eles roubaram alguma coisa do Slughorn para me deixar sóbria.
- Quem? - Alice e Frank perguntaram ao mesmo tempo.
- Sirius e Remus.
- Da próxima vez, peça a eles para roubarem o bastante para dois - aborreceu-se Alice.
Lily viu a amiga acomodar-se melhor no chão e fechar os olhos. Ela parecia pior do que simplesmente sofrendo de ressaca.
- Frank, a sua doença não é contagiosa, é?
Frank olhou para Alice, seu rosto ficando pálido de horror. Ele então levou Lily para fora do quarto, na direção do salão comunal.
- Eu não posso tê-la deixado ficar doente. Ela nunca... - ele parou o que estava falando.
- Ela nunca gostaria de você? - Lily terminou.
- Eu achei que, sabe, se eu adoecesse, ela se preocuparia comigo e perceberia que gostava de mim. Mas, tudo o que fiz foi deixá-la doente.
Lily sorriu, dando um tapa leve no braço do amigo, condescendente. Foi uma idéia infeliz, mas Frank amava Alice.
- Ela ficará bem. E eu tenho certeza que ela sente o mesmo por você, só lhe dê tempo. É difícil ir de um sentimento que você sempre sentiu para um completamente novo.
Frank assentiu.
- Mas e você? Como está indo com a aposta?
- Não tenho certeza. Quero dizer, ele está ganhando, mas, não sei... Ah, está tudo tão confuso. Ele é James Potter, eu supus que o odiava, que queria que ele perdesse essa aposta e nunca mais falasse comigo novamente.
- E agora?
Lily soltou um gemido, deitando a cabeça no ombro de Frank.
- Eu não sei.
- Só você pode decidir.
- Eu sei. Quando a vida ficou tão difícil? - Lily perguntou num muxoxo.
- Quando ela foi fácil?
Naquela noite, Lily disse a James que não patrulharia os corredores com ele, porque Alice estava com muita febre. O rapaz se ofereceu para ficar com ela e ajudar a cuidar da amiga, mas Lily lhe lembrou que ele era monitor e tinha deveres.
Lily passou a noite inteira ao lado de Alice, deixando-a apenas para se encontrar com Frank, o qual não estava em seu quarto. Um de seus companheiros de dormitório disse que ele havia ido pegar uma poção com o Prof. Slughorn. Lily esperou que isso não significasse que o amigo fora roubar uma poção, mas ela sabia que, caso ele fosse apanhado, James o livraria.
No caminho de volta para o dormitório feminino, Lily topou com Siris e Peter (Remus estava acompanhando James) e mandou-os procurar por Frank. Eles o encontraram, mas, infelizmente, foram pêgos no flagra, deixando, furtivamente, o escritório de Slughorn. Lily não soube disso, uma vez que não deixou Alice sozinha novamente.
Na manhã seguinte, ela estava tão doente quanto Alice, mas, tendo perdido as aulas do dia anterior por ter fugido com James, não quis fazê-lo de novo. Então, ela acordou Alice e as duas desceram, aos tropeços, as escadas até o salão comunal.
James as viu tão logo elas chegaram ao salão e, rapidamente, ajudou Lily a alcançar o sofá. Fez, então, depois, o mesmo com Alice, que parecia prestes a desabar.
- Lily, você não pode ir às aulas desse jeito.
- Eu tenho que ir. Não posso perder outro dia de aula - ela disse sonolenta. Havia passado a noite toda em claro.
- Você está doente. E a sua aparência... Não importa a sua aparência, só digo que não está boa. As duas. Vocês deveriam voltar a dormir.
Lily olhou para cima, a fim de olhar James, e teve uma idéia. Não que ela estivesse apta a se concentrar.
- Você tem que tomar notas pra mim. E para Alice. E também nossos trabalho e tarefas. E diga aos professores por que faltamos.
- Pode deixar. Agirei como um bom aluno.
Lily se entregou, fechando os olhos.
- Bom - falou -, estou contando com você.
- Você tem certeza que não quer que eu fique e tome conta de vocês duas? - ele se ofereceu. Lily parecia mal, e embora pessoas adoentadas não fossem sua especialidade, James tomaria conta de Lily e até de Alice, uma vez que ela era a melhor amiga da ruiva.
- Quem irá pegar notas e as tarefas por mim? Você tem que ir - Lily discutiu.
- Remus pode fazer isso. Eu copio tudo dele, de qualquer maneira.
- Eu posso fazer o quê? - Remus perguntou ao chegar ao salão comunal; Sirius, Peter e Frank logo atrás.
Em uma tentativa de esconder a poção que havia roubado, Frank teve que bebê-la, ficando com a saúde perfeita. No entanto, ficou em detenção, mas ele não teve muitos problemas, uma vez que foi sua primeira transgressão.
Sirius e Peter eram diferentes. Peter ganhou detenção para cada noite daquela semana e Sirius teve que dizer adeus a todos os seus planos, porque ficaria em detenção até o próximo semestre.
- Ah, não! A Lily também, não - Frank falou ao ver as garotas.
- Temo que sim. Ela quer que eu vá e tome nota das aulas por ela. Acho que alguém deveria cuidar delas - James falou.
- Eu fico com elas - Frank ofereceu-se.
- Não, você não pode perder mais aulas. Você já perdeu muitas, quando esteve doente - Alice argumentou.
Os rapazes olharam para as garotas, pensando.
- Tive uma idéia - Sirius falou. - Vocês três podem ir para a aula, Peter e eu ficaremos aqui com elas. Eu tenho detenção pro resto da minha vida, então, não há muito o que eles possam fazer para me manter na linha.
- Por que eu fico? - Peter perguntou, olhando para as garotas doentes, desgostoso. Certo que elas não eram visões agradáveis, mas isso não era algo muito bom para ser reconhecido.
- Porque elas são duas e eu sou um.
Peter consentiu, derrotado:
- Tudo bem, nós cuidaremos delas, vocês podem ir pra aula.
Os três foram, James e Frank lanfçando olhares preocupados por cima do ombro. Lily e Alice acompanharam-nos com o olhar, também preocupadas: Sirius e Peter eram as últimas pessoas que elas queriam como babás. Lily olhou para seu relógio. Seria um longo dia...
Ao fim do dia, James ficou surpreso ao ver todos os quatro amontoados embaixo de cobertores, parecendo acabados.
- Era contagioso - Peter explicou.
- Nossa nova punição é suportar isso, em vez da detenção - completou Sirius.
Lily fungou:
- Eles não nos verão. Disseram que merecemos ficar doentes por roubar poções.
- Mas, você e Alice não roubaram nada - James falou olhando para eles.
- Só que eles roubaram por nós, o que é tão ruim quanto, aparentemente - Alice falou.
- Quanto tempo vocês têm que ficar assim? - Remus perguntou, olhando para Peter e Sirius.
- Uma noite. Então, segundo eles aprenderemos nossa lição, e então cuidarão da gente - explicou Sirius, ao que Peter adicionou:
- Isso não é justo.
- Eles acham que estamos fingindo, fazendo parecer pior para que não tenhamos mais problemas - falou Alice.
- Esse tipo de punição é correto? - perguntou James para Remus.
- Acho que não.
- Deveríamos contar então para Dumbledore.
- Não - Sirius disse rapidamente. - Isso é melhor que detenção.
Peter concordou e Alice e Lily disseram que estavam dispostas a suportar isso pelo que os garotos fizeram, na noite passada.
- Imagino que isso significa que estamos brincando de enfermeiros - James falou para Remus e Frank. Este perguntou:
- Há algo que vocês queiram?
Lily e Alice olharam uma para outra e falaram em uníssono:
- Chocolate.
- Uísque de Fogo - Sirius falou. James não estava certo se ele estava falando sério ou não. Decidiu-se pelo não.
- E você, Peter? - perguntou Remus.
- Só me mate agora.
Os três decidiram que isso foi uma brincadeira e saíram para buscar o chocolate das garotas.
Eles levaram mais tempo que o esperado, pensaram os adoentados, e o quanto se permitia a uma pessoa doente, os quatro estavam muito irritantes. Eles foram separados em duplas em dois sofás: Alice e Peter em um, com a garota usando a perna dele como travesseiro, e Lily e Sirius em outro.
Alice e Sirius haviam discutido, então, Alice roubou o cobertor dele, ao que o rapaz insistia a Lily para que ela dividisse o dela.
- Pegue o seu!
- Mas o meu está com ela.
- Ela está a um metro. Além disso, Alice o devolverá.
- Não, não vou. Ele disse que eu era feia.
- Ele disse que você parecia mal - Lily falou - e eu concordo. Todos parecem péssimos, quando doentes.
- Bem, não vou devolver enquanto ele não se desculpar - Alice falou, teimosa.
- Viu! Dê-me metade do seu.
- Apenas se desculpe!
- Não.
- Então me deixe em paz. Não vou dividir o meu cobertor.
Peter fechou os olhos, ignorando os outros três. Sua perna estava matando-o, mas achou melhor ficar quieto e manter a paz. A qual estava deixando-os novamente:
- Hei, Sirius, aquela não é a sua namorada? - Alice perguntou.
- Onde? - ele retorquiu, agarrando Lily, a qual estava se espreguiçando, colocando-a à sua frente juntamente com o cobertor, cobrindo-os.
- O que você está fazendo? - ela ciciou.
- Escondendo-me.
- Alice estava tentando te assustar, seu idiota. Como ela poderia entra no nosso salão comunal?
- Oh, ela está voltando - Alice gritou, alegre.
Lily sentiu um pedaço do cobertor ser erguido e viu James, que parecia estar se divertindo.
- Está tudo bem por aqui? - ele perguntou.
A garota agradeceu por ele estar apenas se divertindo. Se ela o visse debaixo de um cobertor com alguma garota por cima dele, teria ficado louca.
- Ele está me usando como um escudo humano.
- Eu não quero nem saber - James falou, zombando, mas sentando-a corretamente. Então, continuou: - Conversamos com Madame Pomfrey, ela achou que vocês estavam fingindo. A convencemos do contrário, e ela está esperando por vocês. Ela sentiu-se mal. Falou que vai parar de ficar fazendo perguntas e vai apenas curar os alunos, daqui pra frente.
- Verdade? - Peter perguntou, esperançoso.
- É, ela está esperando - respondeu Remus.
- Bom... Então não ficarei mais doente e não parecerei mais um lixo - Alice falou, ficando de pé, mas o corpo oscilando. Frank apressou-se a ladeá-la.
- Você não parece um lixo - ele disse. - Mesmo doente, para mim, você continua linda.
- Você tem que dizer algo assim, já que é meu melhor amigo.
- Eu não sinto minha perna - falou Peter.
- Eu sinto as minhas. Elas parecem gelatina - retorquiu Lily. Então soltou um grito curto quando James a ergueu do chão. - O que você está fazendo?
- Carregando-a. Assim, você não cai.
- Me derruba que eu te bato.
- Se eu te derrubar, eu mesmo me bato.
Lily fechou os olhos e repousou a cabeça no ombro de James.
- Você é meu cavaleiro numa armadura reluzente - ela disse sarcasticamente, mas ele percebeu que era apenas da boca pra fora.
- Você com certeza não me bateria como uma donzela angustiada. E por que eu não posso ser um príncipe encantado, em vez de um maldito cavaleiro?
- Porque isso requer que você seja charmoso - Lily disse secamente.
Frank colocou seu braço ao redor da cintura de Alice e caminhou com ela na direção da porta. James os seguiu, com Lily, esperando que os outros os alcançassem. Peter estava chacoalhando a perna dormente. Sirius estava deitando no sofá, parecendo que morreria, caso se movesse.
- Então, se James está carregando a Lily, quem vai me carregar? Remus? - falou, abrindo os braços. O olhar que Remus lhe enviou foi claramente um não, então, ele se levantou agarrando e puxando Peter para ajudá-lo.
Depois que todos foram atendidos por Madame Pomfrey, eles foram passear pelo campo de quadribol. Lily sentou-se ao lado de James e se lembrou que queria falar sobre ele com Alice e Frank.
Mas, o que havia para ser dito? As coisas haviam mudado, ela tinha que aceitar isso. Estava realmente agindo como sua namorada? Havia deixado seus amigos doentes, mas ele não ficou irritado. James tinha se disposto a cuidar dela, quando ficou ruim, e ela sempre cuidou de si mesma.
Era seguro dizer que ele sempre estaria ao seu lado.
Ambos haviam deixado os outros para trás e sentado mais afastados. Eles ficaram em silêncio por um tempo, até Lily dizer:
- Isso é estranho.
- O quê?
- Nós. Sentando juntos e por tempos longos. Não é o que eu esperava. – Lily fez uma pausa e então continuou: - Você não é o que eu esperava.
- As pessoas dificilmente são.
Eles continuaram sentados, o silêncio os tomando. Este não ocorria necessariamente, como se não houvesse mais palavras a serem ditas, e sim por ter palavras que Lily queria desesperadamente dizer, mas não saberia como. Não havia palavras a serem ditas, porque ela nunca sentira algo parecido, antes.
- Sabe, eu não consigo me lembrar da última vez que fiz algo espontâneo, antes de fugir das aulas, com você. Eu não quero que as coisas sigam um caminho certo, eu quero fazer mais, ver mais. Só que é um pouco difícil pra mim, transpassar meus próprios limites e minhas resistências.
James a observou enquanto ela falava tudo isso, traduzindo para o que ela realmente queria dizer: eu quero isso, quero "nós", mas estou com medo. Era o mais perto que Lily estava de admitir seus sentimentos e até onde ela chegaria, e James sabia. Mas ele conseguiria esperar, esperar que ela dissesse as palavras.
Ele se levantou, estendendo sua mão.
- Você quer ser espontânea? Dance comigo.
- O quê?
- Dance comigo.
- Você sabe dançar? – ela perguntou, segurando a mãe dele.
- Eu te seguro, você me segura, a gente balança em círculos. Não é difícil, é?
Lily se permitiu ficar bem perto de James e dançar com ele. Dançar sob as estrelas era um gesto romântico horrivelmente clichê, mas, com ele, parecia algo original, novo. Tudo lhe parecia novo, com ele.
Ela deixou a cabeça descansar no ombro dele, fechando os olhos. Por que as coisas haviam se transformado daquele jeito, numa terrível bagunça?
Era um momento perfeito, era romântico e doce. Uma grande oportunidade para James beijá-la, mas ele não estava tentando fazê-lo. Ele deveria estar pensando que, se tentasse beijá-la agora, ela não permitiria. Então, por que ela não o beijava?
- Você já fez isso alguma vez, antes?
- Dançar com uma garota no campo de quadribol? Não, você é a primeira.
- Quero dizer dançar sem música. Estamos em ritmos diferentes.
- Nós sempre estivemos. Mas, talvez, não mais.
Verdade, James sempre esteve um passo à frente dela, ou cinco ou dez. Ele era apressado, imprevisível. Ela era calma e constante. Se a relação deles era como uma dança, ela simplesmente tinha ficado parada, mas com ele ao seu lado o tempo todo.
- Talvez, não mais...
Capítulo 12
- É isso aí, Frank!
Lily acordou com o som de uma voz masculina dizendo aquelas palavras, e viu que ela ainda estava na cama de Frank, ao lado de Alice. No entanto, Frank não estava mais no chão, e sim deitado ao lado dela. Um grande feito para uma cama tão pequena.
- Calem a boca, todos vocês! Não é o que parece - Lily falou, chacoalhando Alice. A garota se agitou, olhando pros lados.
- Por favor, diga que não fiz nada de errado ontem à noite.
- Não, você apenas dormiu aqui. Assim como eu.
Frank acordou e olhou para o lado, soltando um grito curto.
- Lily, eu me esqueci que você estava aí. Eu esperei aqui no chão, mas vocês não acordaram. Não achei que fossem se importar.
- É a sua cama - Alice falou. - Além disso, nós já dividimos uma cama, antes.
Dois garotos fizeram comentários barulhentos, e Alice rolou os olhos. Lily passou por cima de Frank para sair da cama. E foi então que reparou que ainda usava a fantasia da festa de Halloween.
- Ahh, não acredito que ainda estou de gata.
- Miaaauuu - um garoto falou sugestivamente, colocando um braço envolta dela. Lily retirou o braço dele, irritada, e Frank lançou ao rapaz um olhar de desprezo.
- Ignore-os - falou Frank -, eles gostam de fazer isso sempre.
- Então vamos sair daqui - Alice sugeriu. Os amigos a seguiram.
xxx
Lily decidiu pular o café-da-manhã, indo direto para a biblioteca para pensar em paz. Tentando o quanto ela pôde, não conseguiu se lembrar de nada do que ocorrera antes de acordar no escritório do Prof. Slughorn. Era como um grande vazio em sua cabeça.
Assim como o lugar que ela ocupara na biblioteca.
- O que está acontecendo entre você e o Sirius?
Lily ergueu os olhos para ver Amanda, a qual ainda tinha vestígios de glitter no cabelo, por causa de sua fantasia de fada, fazendo-a brilhar.
- Ahm...nada. Do que você está falando? - perguntou confusa.
- Uma de minhas amigas disse que viu você numa festa em Hogsmeade, noite passada, e a viu dizendo a Sirius que o amava.
Lily a olhou como se a garota fosse louca, então, um flash perpassou em sua memória; ela bebendo um ponche com gosto engraçado, que quanto mais bebia, mais engraçado ficava, e ela tinha ficado um pouco embriagada...
- Ah, certo. Sim, disse a ele e para Remus Lupin. - Ao ver o olhar da garota sobre si, adicionou rapidamente: - Quero dizer um amor num sentindo completamente platônico. Olhe, eu acidentalmente bebi demais, e eles estavam tentando...hum...eu realmente não me lembro muito bem, mas, acredite, você teve uma idéia errada do que houve.
Lily assistiu Amanda erguer as mãos até o rosto, numa expressão de horror.
- O que foi?
- Oh, eu não sabia disso - Amanda falou -, então presumi... Quero dizer, eu estava com raiva e deixei cair um copo de suco de abóbora na cabeça do Sirius. No salão principal. Em frente a todos.
Lily teve que tapar sua boca para segurar uma risada. Então, falou:
- Eu vou falar com ele por você. Explicar tudo.
- Sério? Você é maravilhosa!
Olhando para a expressão de Amanda, Lily se perguntou se ela era tão patética quanto a que James exprimia, quando se dizia apaixonado. A trágica verdade era, e Lily tinha certeza disso, que provavelmente esta era pior.
- Bom, então suponho que os rumores são verdadeiros, sobre você estar saindo com James Potter.
Lily ficou pasmada. Havia rumores sobre ela e James?
- Nós não saímos, nós apenas... Apenas estávamos lá.
- Mas, você não deu um beijo apaixonado nele, no corredor, logo no começo do ano?
- Você estava beijando o Sirius na biblioteca, isso significa que você estava saindo com ele? - Lily retorquiu, muito mais agressiva do que poderia imaginar. Parecia que iria atacar a garota. Teria que parar de ficar tão na defensiva.
- Depois de ter jogado suco de abóbora na cabeça dele, o que você acha?
- Não, acho que não - Lily respondeu. Então se levantou. - Estou indo encontrar James agora, contar a ele sobre esses rumores. Provavelmente é ele quem os está espalhando.
Após sair da biblioteca, Lily foi até o salão comunal, onde James, Sirius, Peter e Remus estavam. Remus estava saindo no momento em que ela entrou, ao que ambos pararam.
- James disse a você que eu sei sobre...
- Falou - o rapaz a interrompeu.
Eles permaneceram num silêncio desconfortável, até que Lily fez a única coisa que ela poderia pensar. Deu um breve abraço em Remus e sussurrou-lhe:
- Seu segredo está seguro comigo.
Remus pareceu aliviado por Lily não ter permanecido por mais tempo naquele abraço, e, após agradecer a ela, saiu.
- Olá. James, tenho que falar com você.
- Pode esperar? Estou tentando deixar o cabelo do Peter no mesmo tom de verde que você deixou o meu.
Percebendo que ele não lhe daria atenção, e não acreditando nas habilidades de James pra transformar o cabelo de Peter, Lily voltou-se para Sirius:
- Você sabe que está cheirando a suco de abóbora?
Ele não disse nada de volta, apenas continuou olhando para o teto, como se houvesse algo interessante por lá.
- Estou brincando. De qualquer maneira, eu vi sua "companhia feminina" na biblioteca. E disse a ela que falaria com você.
- Não há nada que você possa dizer.
Lily deu de ombros.
- Eu acho que tenho. Ainda mais por ter gostado da abordagem dela; pretendo usá-la na próxima vez que James me enlouquecer.
Desconcentrando-se de Peter, James olhou para ela:
- Não. Isso seria um pouco embaraçoso.
Ao ouvir isso, Sirius levantou do sofá e saiu do salão comunal. Lily o acompanhou com os olhos até vê-lo sair.
- Bem, ele está irritado.
- Pois é, o ego dele nunca vai se recuperar.
Lily rolou os olhos:
- Dou a ele dois dias.
- Eu dou duas horas.
Peter olhou para eles, então, levantou-se para sair.
- Acho que vou também, antes que meu cabelo mude de cor.
James o viu sair, desapontado.
- Então, Lily, o que você queria falar comigo?
- As pessoas estão dizendo que saímos juntos. Como este rumor começou?
O rapaz deu de ombros.
- Não sei. Eu não fui. Tenho tentado fazer as pessoas acreditarem que estamos juntos desde o segundo ano, e não tive sucesso, ainda.
Lily suspirou em frustração. Ele estava dizendo a verdade, ela sabia. E ele tinha melhorado; ela decidira esquecer sobre a festa, já que ninguém sabia dela. Não parecia importante. James não poderia fazer as coisas apenas pensando se a faria feliz ou não, ele tinha coisas a fazer com os amigos, e se eles quebravam algumas regras, bem, talvez não fosse o fim do mundo. Ela tinha noção de como era a vida real, uma que viria após Hogwarts, e que ela não viria com um conjunto de regras ou um manual de instruções.
Era estranho como uma noite a fizesse pensar dessa maneira, com novas percepções.
- James, você já acordou e percebeu que a vida como você a conhecia mudou completamente, como se lhe fugisse do controle?
- Tenho essa sensação todas as vezes que vejo você - ele respondeu.
- Como é isso? - ela perguntou, curiosa pela resposta.
Se havia uma coisa em que James era bom, ele estava tentando mostrar a ela.
- Porque, todas as vezes que te vejo, eu mudo o jeito com que encaro a vida. Você me lembra que há finais felizes, mas, controle? Eu não tenho controle quando ele vem com você. E não gostaria de tê-lo. Eu poderia passar toda a minha vida assistindo, imaginando o que se passaria com você. E o que quer que acontecesse, eu ficaria bem, enquanto pudesse ficar olhando e assistindo você.
Lily olhou para ele, atordoada. Isso realmente foi, e ela ousava pensar, romântico. E doce. Singular? Claro. Sentimental demais? Definitivamente. Mas, adorável, sem dúvidas.
- James, eu nem sei o que dizer.
James cruzou a distância que estava entre eles, parando em frente à Lily.
- Então não diga nada - ele falou antes de se inclinar e capturar os lábios dela com os seus.
Lily sentiu-se derreter, e puxou a gola da camisa de James, deixando-o mais perto. Para ela, ele era um rapaz que realmente sabia beijar, por que ela sempre o odiou? Como poderia odiar alguém que a fazia se sentir daquela maneira?
Era muito bom para ambos que o salão comunal estivesse vazio, porque eles teriam uma bela platéia para o que estava acontecendo. Lily não poderia se lembrar da última vez que o beijara, não estando totalmente acordada e apta a aproveitar todos os deliciosos segundos do beijo, o que definitivamente eles estavam fazendo agora.
Depois de algum tempo, James se afastou de Lily, ao que a garota começou a abrir os olhos, contudo, ele beijou-os, mantendo-os fechados.
- O que você está sentindo? - ele sussurrou próximo à orelha dela.
- Como se pudesse voar - ela sussurrou de volta, sorrindo.
- Você quer aprender? Como voar - ele disse, segurando as mãos dela nas suas.
Lily abriu os olhos.
- Eu consigo montar numa vassoura, sabia?
- Montar e voar são diferentes, qualquer um pode montar. E quero te ensinar a voar - James argumentou.
- Depois de você cair da sua vassoura e quase provocar em mim um ataque do coração? Não, obrigada, não quero aprender a voar com você.
- Voar quer dizer que às vezes você cai. Se você realmente quer voar, você tem que arriscar a sorte. Mas, a vida já é um risco constante, não acha? Você poderia apenas montar e continuar a salvo, ou poderia tentar voar e arriscar a cair.
Lily inclinou a cabeça, observando-o terminar aquela analogia. Ele não costumava ser tão profundo.
- Então, a questão é, Lily: você quer continuar a salvo ou quer arriscar voar e cair à sua maneira?
Lily sorriu. Ela tinha uma ligeira suspeita de que aquela conversa era mais que como montar uma vassoura, era sobre eles. Na verdade, mais como ela se sentira perante James.
- Eu acho que nós temos que cair, às vezes.
James pegou a mão dela novamente, levando-a para fora.
- James, temos aula!
Ele parou, olhando para Lily como se ela houvesse dito algo sem real importância.
- Vamos, Lily. Perca aula ao menos uma vez, viva um pouco.
Lily mordeu o lábio, considerando.
- Tudo bem, ótimo, apenas uma vez. Mas, você sabe, eu não tenho uma vassoura, então...
- Então você pode pegar a do Sirius.
Lily fez uma careta, sentindo-se derrotada. Não que ela tivesse alguma chance.
- Falando em Sirius, estava pensando que poderia tentar falar com ele novamente, pela Amanda. Fazê-los voltar. Voltar ao o que quer que eles tenham tido.
James suspirou.
- Lily, não. Isso não é problema seu.
- Só que eu falei para ela que...
- E você tentou. E falhou. Desista.
- Mas, todos merecem um final feliz, e eu acho que ela poderia ser uma boa influência para o Sirius - argumentou.
- Lily, você tem boas intenções, sério, eu vejo isso, e amo essa parte da sua personalidade que quer ajudar os outros a serem felizes, mas deixe-os em paz. Algumas pessoas apenas não se relacionam com as outras.
- Bem, eu tinha minhas dúvidas sobre ela, considerando que ela deixou de gostar do Remus pra gostar do Sirius de uma hora pra outra, mas, você sabe, eu acho que gosto dela. Qualquer garota que tenha atitude o bastante para jogar suco na cabeça de um garoto é boa pra mim.
- Eu não estava falando dela. Sirius tem, qual é o termo?... bagagem emocional.
- Bagagem emocional? - Lily perguntou incrédula.
- Não é muito viril que saia por aí mostrando esse tipo de coisas, sabia? Ele só...
- Só é um homem que não se compromete com uma garota, como Alice disse - Lily terminou.
- Algo assim.
Lily considerou isso por um tempo.
- Mas saiba que a garota certa...
- Lily.
- Ah, tudo bem. E sobre Remus, ele poderia ter uma namorada, alguém que lhe pudesse dar algum conforto. Ou talvez Peter, ele é solteiro, acho que ele sempre foi...
- Lily, ela não é sua responsabilidade. Não tente empurrá-la pra alguém - James disse.
- Está certo. Nossa, isso é uma raridade. - Ela ignorou o olhar irritado dele e continuou. - Isso me lembra... Snape mencionou algo na aula, quando nós estávamos falando sobre o salgueiro lutador, e uma garota no Saint Mungus, e ela me disse pra não ir até lá. Ele sabe sobre o Remus? Ele me disse que se eu quisesse saber o que havia lá embaixo, teria que perguntar a você ou a Sirius.
James retesou, sua mão pressionando a de Lily mais forte que o desejado.
- Houve um incidente. No ano passado. Sirius mandou Snape descer até lá, enquanto Remus estava, você sabe, e eu, tipo, salvei a vida dele. Penso que ele teria preferido que eu o deixasse morrer.
Lily parou de andar, os olhos arregalados.
- Você quer dizer que o Sirius o enviou lá embaixo, sabendo...
- Sim, mas...
- Em que ele estava pensando? Remus teria se sentindo horrível se algo acontecesse, Snape poderia ter morrido!
- Ele estava apenas tentando assustá-lo, e ninguém se machucou, eu lhe asseguro - James disse.
Lily não saiu do lugar, e olhou estranhamente para James.
- Você salvou Snape.
- É, bem, alguém tinha que fazê-lo. Não havia ninguém em volta que pudesse fazer isso - ele disse, correndo sua mão pelos cabelos. Era um gesto que ela não achava mais irritante; James só o fazia quando estava nervoso ou embaraçado, como agora.
- Vocês dois se odeiam e você o salvou. Estou orgulhosa de você, James.
James parecia mais modesto, algo que Lily pensou que nunca veria em sua vida.
- Ahm...bem, vamos buscar uma vassoura, ao que me lembre, você vai aprender a voar, não é?
Lily andou ao lado dele, não tendo certeza do que esperar, não sabendo o que teria à frente. E pela primeira vez, ela estava bem com isso. Estava pronta para voar.
Lily acordou com o som de uma voz masculina dizendo aquelas palavras, e viu que ela ainda estava na cama de Frank, ao lado de Alice. No entanto, Frank não estava mais no chão, e sim deitado ao lado dela. Um grande feito para uma cama tão pequena.
- Calem a boca, todos vocês! Não é o que parece - Lily falou, chacoalhando Alice. A garota se agitou, olhando pros lados.
- Por favor, diga que não fiz nada de errado ontem à noite.
- Não, você apenas dormiu aqui. Assim como eu.
Frank acordou e olhou para o lado, soltando um grito curto.
- Lily, eu me esqueci que você estava aí. Eu esperei aqui no chão, mas vocês não acordaram. Não achei que fossem se importar.
- É a sua cama - Alice falou. - Além disso, nós já dividimos uma cama, antes.
Dois garotos fizeram comentários barulhentos, e Alice rolou os olhos. Lily passou por cima de Frank para sair da cama. E foi então que reparou que ainda usava a fantasia da festa de Halloween.
- Ahh, não acredito que ainda estou de gata.
- Miaaauuu - um garoto falou sugestivamente, colocando um braço envolta dela. Lily retirou o braço dele, irritada, e Frank lançou ao rapaz um olhar de desprezo.
- Ignore-os - falou Frank -, eles gostam de fazer isso sempre.
- Então vamos sair daqui - Alice sugeriu. Os amigos a seguiram.
xxx
Lily decidiu pular o café-da-manhã, indo direto para a biblioteca para pensar em paz. Tentando o quanto ela pôde, não conseguiu se lembrar de nada do que ocorrera antes de acordar no escritório do Prof. Slughorn. Era como um grande vazio em sua cabeça.
Assim como o lugar que ela ocupara na biblioteca.
- O que está acontecendo entre você e o Sirius?
Lily ergueu os olhos para ver Amanda, a qual ainda tinha vestígios de glitter no cabelo, por causa de sua fantasia de fada, fazendo-a brilhar.
- Ahm...nada. Do que você está falando? - perguntou confusa.
- Uma de minhas amigas disse que viu você numa festa em Hogsmeade, noite passada, e a viu dizendo a Sirius que o amava.
Lily a olhou como se a garota fosse louca, então, um flash perpassou em sua memória; ela bebendo um ponche com gosto engraçado, que quanto mais bebia, mais engraçado ficava, e ela tinha ficado um pouco embriagada...
- Ah, certo. Sim, disse a ele e para Remus Lupin. - Ao ver o olhar da garota sobre si, adicionou rapidamente: - Quero dizer um amor num sentindo completamente platônico. Olhe, eu acidentalmente bebi demais, e eles estavam tentando...hum...eu realmente não me lembro muito bem, mas, acredite, você teve uma idéia errada do que houve.
Lily assistiu Amanda erguer as mãos até o rosto, numa expressão de horror.
- O que foi?
- Oh, eu não sabia disso - Amanda falou -, então presumi... Quero dizer, eu estava com raiva e deixei cair um copo de suco de abóbora na cabeça do Sirius. No salão principal. Em frente a todos.
Lily teve que tapar sua boca para segurar uma risada. Então, falou:
- Eu vou falar com ele por você. Explicar tudo.
- Sério? Você é maravilhosa!
Olhando para a expressão de Amanda, Lily se perguntou se ela era tão patética quanto a que James exprimia, quando se dizia apaixonado. A trágica verdade era, e Lily tinha certeza disso, que provavelmente esta era pior.
- Bom, então suponho que os rumores são verdadeiros, sobre você estar saindo com James Potter.
Lily ficou pasmada. Havia rumores sobre ela e James?
- Nós não saímos, nós apenas... Apenas estávamos lá.
- Mas, você não deu um beijo apaixonado nele, no corredor, logo no começo do ano?
- Você estava beijando o Sirius na biblioteca, isso significa que você estava saindo com ele? - Lily retorquiu, muito mais agressiva do que poderia imaginar. Parecia que iria atacar a garota. Teria que parar de ficar tão na defensiva.
- Depois de ter jogado suco de abóbora na cabeça dele, o que você acha?
- Não, acho que não - Lily respondeu. Então se levantou. - Estou indo encontrar James agora, contar a ele sobre esses rumores. Provavelmente é ele quem os está espalhando.
Após sair da biblioteca, Lily foi até o salão comunal, onde James, Sirius, Peter e Remus estavam. Remus estava saindo no momento em que ela entrou, ao que ambos pararam.
- James disse a você que eu sei sobre...
- Falou - o rapaz a interrompeu.
Eles permaneceram num silêncio desconfortável, até que Lily fez a única coisa que ela poderia pensar. Deu um breve abraço em Remus e sussurrou-lhe:
- Seu segredo está seguro comigo.
Remus pareceu aliviado por Lily não ter permanecido por mais tempo naquele abraço, e, após agradecer a ela, saiu.
- Olá. James, tenho que falar com você.
- Pode esperar? Estou tentando deixar o cabelo do Peter no mesmo tom de verde que você deixou o meu.
Percebendo que ele não lhe daria atenção, e não acreditando nas habilidades de James pra transformar o cabelo de Peter, Lily voltou-se para Sirius:
- Você sabe que está cheirando a suco de abóbora?
Ele não disse nada de volta, apenas continuou olhando para o teto, como se houvesse algo interessante por lá.
- Estou brincando. De qualquer maneira, eu vi sua "companhia feminina" na biblioteca. E disse a ela que falaria com você.
- Não há nada que você possa dizer.
Lily deu de ombros.
- Eu acho que tenho. Ainda mais por ter gostado da abordagem dela; pretendo usá-la na próxima vez que James me enlouquecer.
Desconcentrando-se de Peter, James olhou para ela:
- Não. Isso seria um pouco embaraçoso.
Ao ouvir isso, Sirius levantou do sofá e saiu do salão comunal. Lily o acompanhou com os olhos até vê-lo sair.
- Bem, ele está irritado.
- Pois é, o ego dele nunca vai se recuperar.
Lily rolou os olhos:
- Dou a ele dois dias.
- Eu dou duas horas.
Peter olhou para eles, então, levantou-se para sair.
- Acho que vou também, antes que meu cabelo mude de cor.
James o viu sair, desapontado.
- Então, Lily, o que você queria falar comigo?
- As pessoas estão dizendo que saímos juntos. Como este rumor começou?
O rapaz deu de ombros.
- Não sei. Eu não fui. Tenho tentado fazer as pessoas acreditarem que estamos juntos desde o segundo ano, e não tive sucesso, ainda.
Lily suspirou em frustração. Ele estava dizendo a verdade, ela sabia. E ele tinha melhorado; ela decidira esquecer sobre a festa, já que ninguém sabia dela. Não parecia importante. James não poderia fazer as coisas apenas pensando se a faria feliz ou não, ele tinha coisas a fazer com os amigos, e se eles quebravam algumas regras, bem, talvez não fosse o fim do mundo. Ela tinha noção de como era a vida real, uma que viria após Hogwarts, e que ela não viria com um conjunto de regras ou um manual de instruções.
Era estranho como uma noite a fizesse pensar dessa maneira, com novas percepções.
- James, você já acordou e percebeu que a vida como você a conhecia mudou completamente, como se lhe fugisse do controle?
- Tenho essa sensação todas as vezes que vejo você - ele respondeu.
- Como é isso? - ela perguntou, curiosa pela resposta.
Se havia uma coisa em que James era bom, ele estava tentando mostrar a ela.
- Porque, todas as vezes que te vejo, eu mudo o jeito com que encaro a vida. Você me lembra que há finais felizes, mas, controle? Eu não tenho controle quando ele vem com você. E não gostaria de tê-lo. Eu poderia passar toda a minha vida assistindo, imaginando o que se passaria com você. E o que quer que acontecesse, eu ficaria bem, enquanto pudesse ficar olhando e assistindo você.
Lily olhou para ele, atordoada. Isso realmente foi, e ela ousava pensar, romântico. E doce. Singular? Claro. Sentimental demais? Definitivamente. Mas, adorável, sem dúvidas.
- James, eu nem sei o que dizer.
James cruzou a distância que estava entre eles, parando em frente à Lily.
- Então não diga nada - ele falou antes de se inclinar e capturar os lábios dela com os seus.
Lily sentiu-se derreter, e puxou a gola da camisa de James, deixando-o mais perto. Para ela, ele era um rapaz que realmente sabia beijar, por que ela sempre o odiou? Como poderia odiar alguém que a fazia se sentir daquela maneira?
Era muito bom para ambos que o salão comunal estivesse vazio, porque eles teriam uma bela platéia para o que estava acontecendo. Lily não poderia se lembrar da última vez que o beijara, não estando totalmente acordada e apta a aproveitar todos os deliciosos segundos do beijo, o que definitivamente eles estavam fazendo agora.
Depois de algum tempo, James se afastou de Lily, ao que a garota começou a abrir os olhos, contudo, ele beijou-os, mantendo-os fechados.
- O que você está sentindo? - ele sussurrou próximo à orelha dela.
- Como se pudesse voar - ela sussurrou de volta, sorrindo.
- Você quer aprender? Como voar - ele disse, segurando as mãos dela nas suas.
Lily abriu os olhos.
- Eu consigo montar numa vassoura, sabia?
- Montar e voar são diferentes, qualquer um pode montar. E quero te ensinar a voar - James argumentou.
- Depois de você cair da sua vassoura e quase provocar em mim um ataque do coração? Não, obrigada, não quero aprender a voar com você.
- Voar quer dizer que às vezes você cai. Se você realmente quer voar, você tem que arriscar a sorte. Mas, a vida já é um risco constante, não acha? Você poderia apenas montar e continuar a salvo, ou poderia tentar voar e arriscar a cair.
Lily inclinou a cabeça, observando-o terminar aquela analogia. Ele não costumava ser tão profundo.
- Então, a questão é, Lily: você quer continuar a salvo ou quer arriscar voar e cair à sua maneira?
Lily sorriu. Ela tinha uma ligeira suspeita de que aquela conversa era mais que como montar uma vassoura, era sobre eles. Na verdade, mais como ela se sentira perante James.
- Eu acho que nós temos que cair, às vezes.
James pegou a mão dela novamente, levando-a para fora.
- James, temos aula!
Ele parou, olhando para Lily como se ela houvesse dito algo sem real importância.
- Vamos, Lily. Perca aula ao menos uma vez, viva um pouco.
Lily mordeu o lábio, considerando.
- Tudo bem, ótimo, apenas uma vez. Mas, você sabe, eu não tenho uma vassoura, então...
- Então você pode pegar a do Sirius.
Lily fez uma careta, sentindo-se derrotada. Não que ela tivesse alguma chance.
- Falando em Sirius, estava pensando que poderia tentar falar com ele novamente, pela Amanda. Fazê-los voltar. Voltar ao o que quer que eles tenham tido.
James suspirou.
- Lily, não. Isso não é problema seu.
- Só que eu falei para ela que...
- E você tentou. E falhou. Desista.
- Mas, todos merecem um final feliz, e eu acho que ela poderia ser uma boa influência para o Sirius - argumentou.
- Lily, você tem boas intenções, sério, eu vejo isso, e amo essa parte da sua personalidade que quer ajudar os outros a serem felizes, mas deixe-os em paz. Algumas pessoas apenas não se relacionam com as outras.
- Bem, eu tinha minhas dúvidas sobre ela, considerando que ela deixou de gostar do Remus pra gostar do Sirius de uma hora pra outra, mas, você sabe, eu acho que gosto dela. Qualquer garota que tenha atitude o bastante para jogar suco na cabeça de um garoto é boa pra mim.
- Eu não estava falando dela. Sirius tem, qual é o termo?... bagagem emocional.
- Bagagem emocional? - Lily perguntou incrédula.
- Não é muito viril que saia por aí mostrando esse tipo de coisas, sabia? Ele só...
- Só é um homem que não se compromete com uma garota, como Alice disse - Lily terminou.
- Algo assim.
Lily considerou isso por um tempo.
- Mas saiba que a garota certa...
- Lily.
- Ah, tudo bem. E sobre Remus, ele poderia ter uma namorada, alguém que lhe pudesse dar algum conforto. Ou talvez Peter, ele é solteiro, acho que ele sempre foi...
- Lily, ela não é sua responsabilidade. Não tente empurrá-la pra alguém - James disse.
- Está certo. Nossa, isso é uma raridade. - Ela ignorou o olhar irritado dele e continuou. - Isso me lembra... Snape mencionou algo na aula, quando nós estávamos falando sobre o salgueiro lutador, e uma garota no Saint Mungus, e ela me disse pra não ir até lá. Ele sabe sobre o Remus? Ele me disse que se eu quisesse saber o que havia lá embaixo, teria que perguntar a você ou a Sirius.
James retesou, sua mão pressionando a de Lily mais forte que o desejado.
- Houve um incidente. No ano passado. Sirius mandou Snape descer até lá, enquanto Remus estava, você sabe, e eu, tipo, salvei a vida dele. Penso que ele teria preferido que eu o deixasse morrer.
Lily parou de andar, os olhos arregalados.
- Você quer dizer que o Sirius o enviou lá embaixo, sabendo...
- Sim, mas...
- Em que ele estava pensando? Remus teria se sentindo horrível se algo acontecesse, Snape poderia ter morrido!
- Ele estava apenas tentando assustá-lo, e ninguém se machucou, eu lhe asseguro - James disse.
Lily não saiu do lugar, e olhou estranhamente para James.
- Você salvou Snape.
- É, bem, alguém tinha que fazê-lo. Não havia ninguém em volta que pudesse fazer isso - ele disse, correndo sua mão pelos cabelos. Era um gesto que ela não achava mais irritante; James só o fazia quando estava nervoso ou embaraçado, como agora.
- Vocês dois se odeiam e você o salvou. Estou orgulhosa de você, James.
James parecia mais modesto, algo que Lily pensou que nunca veria em sua vida.
- Ahm...bem, vamos buscar uma vassoura, ao que me lembre, você vai aprender a voar, não é?
Lily andou ao lado dele, não tendo certeza do que esperar, não sabendo o que teria à frente. E pela primeira vez, ela estava bem com isso. Estava pronta para voar.
Capítulo 11
- Nós temos que cancelar a festa.
- O quê? Nós a temos planejado a semana toda - Sirius disse ultrajado.
- A Lily está desconfiada; se ela descobre que damos nossas escapadas para ir a Hogsmeade, nos mata! - James argumentou.
Remus olhou de um para outro e disse:
- Eu avisei que isso era uma má idéia, com show ou não.
Acontecia naqueles dias um show de Halloween da banda "Os Mágicos de Oz" que estava tomando conta totalmente. Mas da Irlanda. No entanto, eles estavam tentando conquistar o resto da Europa, e iriam vir para Hogsmeade. Sua última música, "Filho de uma Bruxa", estava tocando o tempo todo. E depois do show, haveria uma festança no Cabeça de Javali. O que, na opinião de Remus, seria uma má idéia, considerando que estavam indo no bar do irmão do diretor.
- Olhe, eu comprei as entradas, então eu vou - Sirius disse.
- Você comprou com o dinheiro que pegou de mim - James contrapôs.
- Peguei de você? Eu pensei que aquele dinheiro fosse um presente, sabe, um ato de caridade.
- Você disse que me reembolsaria.
- Evidentemente, eu não me lembro.
Remus suspirou. Não poderiam fugir daquele assunto. James sabia que Lily não gostaria da idéia, e ainda esperava tolamente que ela fosse com ele.
- James, por que você apenas não esquece essa festa, e deixa só o Sirius ir com o Peter?
- Eu e o Peter? E quanto a você? Você vai, certo? Comprei sua entrada - Sirius disse.
- Eu comprei a entrada; meu dinheiro - James relembrou-o.
Sirius fez um aceno displicente com a mão.
- Você tem que ir, você quer - ele falou para Remus.
- Vocês dois falando isso, só faz com que me sinta pior...
Sirius e James ficaram olhando fixamente para Remus, esperando pelo momento que o amigo cederia. E eles sempre poderiam dizer quando estavam alcançando tal momento. Normalmente, Remus usava Peter para convencer os outros dois, mas o outro maroto estava em algum outro lugar.
- Eu acredito que possa ir com vocês, para mantê-los longe de encrenca... - Remus falou por fim.
- Eu deveria ir? - James perguntou. - Lily ficaria louca por eu sair furtivamente, indo num show, numa festa, bebendo uísque de fogo. Consigo até ouvir o discurso dela de "você é Monitor Chefe".
- Você, com certeza, não deveria ir. Ela te respeitaria por isso - Remus aconselhou.
- Você deveria ir. O que a Lily não sabe, não a machuca - Sirius sugeriu.
- Se ela não descobrir... - James falou.
- Mas ela vai - Remus disse.
- ...e se ninguém mencionar nada...
- Mas alguém falará - Remus tentou novamente.
- Então ela nunca terá como saber - James concluiu, ignorando Remus.
- Eu sabia que você iria - Sirius disse triunfantemente.
Remus rolou os olhos e encostou-se em sua cadeira:
- Eu desisto.
xxx-xxx
Lily e Alice saíram do quarto de Frank. Ele ainda não havia procurado a curandeira, embora ambas tentassem convencê-lo do contrário durante muito tempo, até desistirem. Contudo, Lily havia achado bem engraçado quando Alice bateu o pé, chamando Frank de "teimoso idiota".
Depois de tentarem fazer o certo pelo amigo, ela e Alice foram bancar as detetives, como Alice dissera anteriormente.
- Então, você tem certeza que não quer esperar até a noite para perguntar a ele? Ele pode te contar.
- E porcos podem voar. O que quer que seja, ele não vai me contar. Não depois daquela pergunta hipotética.
- Se você não fosse uma louca por regras... - Lily encarou Alice, ao que a garota ficou quieta. - Então, de quem você acha que seria mais fácil arrancar a verdade? Remus, Peter ou Sirius? - perguntou.
- Não de Siruis, obviamente - ela disse, lembrando-se quando conversaram na biblioteca.
- Peter seria fácil, talvez um feitiço de cócegas, ou ameaçá-lo com uma maldição...
- Alice!
- Estou brincando. Mas ele não é do tipo confiável. Já o Remus é um cara legal, ele pode nos dizer. Provavelmente ele não está gostando do que quer que vá acontecer.
Lily pensou nisso. Remus era um dos inteligentes do grupo, talvez ele falasse.
- Vamos perguntar a ele.
xxx
- Oi, Remus.
- Olá, Remus.
Remus olhou para cima, sentado na poltrona do salão comunal, para ver as duas garotas sorrindo-lhe abertamente. Sorrindo abertamente; elas pareciam estar querendo alguma coisa.
- Olá, Lily, Alice.
As duas se olharam e sentaram-se, cada uma em um braço da poltrona. Elas lembram-no dois predadores prestes a devorar sua presa.
- Vocês querem alguma coisa?
- Nós queremos você - disse Alice, e, percebendo como isso soara, adicionou: - Não foi isso que quis dizer.
- Eu espero, ou James e Frank ficariam bem contrariados comigo.
- Frank? O que ele tem a ver com isso? - Alice perguntou.
- Ah... O que ela quer dizer, é que queremos você ao nosso lado - Lily disse rapidamente, evitando o olhar ávido de Alice.
- Acho que não estou entendendo - Remus disse, se perguntando se um dos outros amigos desceriam logo ao salão comunal para salvá-lo.
- Sem conversa fiada. Nós sabemos que você sabe, e você irá nos dizer - Alice exigiu.
Lily arregalou os olhos.
- Alice?
- Eu pensei que estávamos fazendo o "policial bom, policial mau". Você estava sendo o "policial bom".
- Estou deixando você ler muito dos meus livros trouxas - Lily disse, então: - Hei! Por que eu não posso ser o "policial mau"?
- Porque você é boa. E eu quero ser o mau. Nenhuma de nós é má mesmo.
Remus olhou de uma para outra, perguntando-se se ele poderia levantar e ir embora sem elas perceberem.
- Nem pense nisso - Lily disse rapidamente, colocando a mão no ombro dele.
- Algo está acontecendo, e queremos saber o quê - Alice falou.
- O que vocês quatro estão planejando para o Halloween? - Lily exigiu.
- Nada, vocês devem ter se enganado, e eu tenho que ir agora e...
Ambas as garotas o puxaram, fazendo Remus se sentar novamente.
- Nós sabemos que você sabe - Lily falou.
- Não posso dizer nada - Remus se defendeu.
- James sabe que ele sabe. E James sabe que nós sabemos que Remus sabe - Alice disse para Lily.
- Certo. Então, se nós sabemos, James saberá que nós sabemos que Remus sabe, e nós sabemos que ele saberá como descobrimos - Lily concluiu.
- Vocês poderiam falar isso de novo? - Remus perguntou, confuso.
- Então, se ele nos contar, James ficará irritado - Alice disse.
- E não os queremos brigando. - Lily suspirou.
- Então, temos que perturbar o próprio James - Alice disse frustrada.
- Certo, eu vou perguntar a ele hoje à noite - Lily disse, ambas ficando em pé.
As garotas saíram do salão comunal, conversando uma com a outra, e Remus as olhou de onde estava. Ao menos Lily era tão doida quanto James.
xxx-xxx
Não importou o quão insistente ela foi, James nada disse para Lily sobre o que estava planejando. Isso a irritou tanto, que ela lançou um feitiço nele, deixando o cabelo do rapaz num tom de verde horroroso. Depois disso, eles sequer conversaram até o fim do dia seguinte.
Então, Lily decidiu deixá-lo para lá, preferindo espioná-lo no Halloween. No entanto, ela não pretendia ser cordial com ele, já que James estava lhe escondendo algo. Com isso, no dia seguinte ela o ignorou em Poções (ele não poderia fazer parceria com Sirius, já que o amigo estava com sua "não-namorada"), e escolheu trabalhar com Snape.
- Você está trabalhando comigo muito freqüentemente. Estou começando a pensar que você tem a impressão de que gosto de sua companhia.
Lily rolou os olhos pelo comentário de Snape. Ela esperava por aquilo.
- James e eu estamos tendo um pequeno desentendimento...
Snape respirou pesadamente.
- Não é nenhuma novidade.
Lily o ignorou e continuou:
- Então, estou trabalhando com você e o deixando trabalhar sozinho. E minha outra parceira não está. Saint Mungus de novo. Ouvi que ela teve um desagradável encontro com o Salgueiro Lutador.
- Eu certamente lhe enviarei flores.
- Seu sarcasmo é revigorante. Vamos tentar algo novo hoje; você tem que, sei lá, dizer algo agradável. Talvez sorrir - Lily comentou.
- Eu sorrirei se você for embora.
- Não sorriria. Você nem sabe como sorrir. Além disso, sou a melhor da classe em Poções, você deveria querer que eu trabalhasse contigo. - Notando o olhar sobre si, ela disse rapidamente: - Segunda melhor da classe, depois de você.
- Desesperada o bastante para evitar o Potter, você usa de bajulação?
- Então, você ouviu sobre a garota e o Salgueiro Lutador? Ouvi dizer que ela queria descobrir onde daria a passagem que tem embaixo dele - Lily disse, mudando de assunto.
- Nada que ela iria querer encontrar.
- Você quer dizer que sabe?
- Não.
- Foi sim. Conte-me.
- Vou dizer que há outro lugar que você gostaria de estar.
- Por quê? O irmão da Lula Gigante vive em algum lugar lá embaixo? Um coven de vampiros? - ela zombou.
- Algo assim - ele falou displicentemente.
Lily o olhou por um momento.
- Se eu acertar, você vai me dizer?
- Não.
- É um monstro? Um dementador? Lobisomem? - ela perguntou, ignorando o comentário dele. Snape hesitou um pouco ante a última opção.
- Se você quer tanto saber o que há lá embaixo, pergunte a James Potter ou Sirius Black - ele disse raivosamente, fechando seu livro.
- Tá... Vamos apenas trabalhar em Poções - Lily disse cuidadosamente, se perguntando o que havia lá embaixo e o que deixara Snape tão irritado. E o que James tinha com tudo isso?
xxx-xxx
Frank ainda estava doente, e Alice estava tentando transformar seu suco de abóbora em cerveja amanteigada quando chegou o Halloween, e Lily colocou seu plano de seguir James em ação. Ela começou cedo naquela manhã, quando sentou com seus amigos no salão comunal.
- Então, acho que vou de vampiro na festa de Halloween - Peter estava dizendo, quando ela chegou.
- Eu não consigo vê-lo como vampiro, você quase desmaiou quando me viu sangrando - James retorquiu, movendo-se no sofá de modo que Lily sentasse ao seu lado.
- Vocês esperaram até hoje para escolherem seus trajes?
- Escolhemos os nossos há três semanas. Irei de fantasma - Alice disse.
- Que original - Sirius comentou. Alice atirou uma almofada nele.
- Vou de zumbi - Frank disse, pegando a almofada antes que ela atingisse Alice de volta.
- Você vai como, Lily? - James perguntou.
- De gata. Foi a fantasia da minha irmã, no ano passado. Não acho que vou gostar muito, está um pouco pequena. Na verdade, bem apertada.
- Ela parece uma... - Alice começou, mas foi interrompida por uma almofada que lhe atingiu no rosto. - Frank!
- Então, do que você vai, James? - Lily perguntou, não dando atenção para Alice que revidara a almofadada de Frank.
- Assassino foragido de Azkaban. Sirius é minha vítima.
- Eu tenho um machado que finca na minha cabeça. É bem real - Sirius disse.
- Será que não basta apenas uma maldição imperdoável para matar alguém? - ela perguntou.
- Mas não seria tão criativo, não acha? - James retorquiu.
- E quanto a você, Remus, vai de quê? - Alice perguntou.
- Eu não decidi.
- Você poderia ir de lula gigante, alguém sempre vai. Não, um novato da Hufflepuff vai assim. Nós temos um fantasma, zumbi, vampiro, todos os clássicos, o que sobra... Oh, eu sei, você poderia ser um lobisomem - ela sugeriu.
Lily viu Remus e James trocarem um olhar, e se perguntou o que aquilo significava.
- Isso é... uma idéia interessante.
- Realmente, eu acho que daria certo pra você. Tão calmo a maior parte do tempo, bem centrado, poderia ser totalmente Dr. Jekyll e Sr. Hyde de "O Médico e o Monstro": normalmente um cara comum, para então virar uma besta selvagem.
- Alice, o Sr. Hyde não era uma besta selvagem. Ele era apenas um homenzinho mau que matou alguém. Eu sei, li o livro - Lily protestou.
- Oh... Esse é o problema dele. Ele nem sequer é um monstro.
Lily notou Remus olhar para Alice intensamente, e também parecia pálido.
- Você está bem? - perguntou preocupada.
- Ótimo. Acho que vou descer agora, tomar café da manhã cedo - ele disse, levantando-se e indo embora.
Algo bipou na mente de Lily, como se fosse um óbvio mistério, e ela estava quase completando este pensamento quando James disse de repente que também ia descer; os outros garotos, com exceção de Frank, o seguiram.
Ela não se importou, o que era importante é que ela iria descobrir o que James lhe escondia. Mesmo se essa descoberta a matasse.
xxx-xxx
Havia uma festa no Salão Principal e todos estavam fantasiados. Os professores estavam de olho nos alunos, o que não a deixaria excitante. No entanto, havia poucas pessoas que estavam se divertindo. Lily notou também que alguns alunos foram embora cedo, mas imaginou que estavam apenas indo para o salão comunal, numa festa não-observada. Nada que a preocupasse; os monitores cuidariam disso.
James a viu e parou de andar imediatamente. A fantasia dela estava grudada no corpo, como se fosse uma segunda pele; não importava que não mostrasse nada, já que deixava bem fácil para a imaginação.
- É a Lily? De repente estou vendo porque você gosta tanto dela - disse Sirius.
James bateu no braço do amigo e continuou olhando a garota fixamente. Ela ficara por perto dele o dia todo, afastando-se apenas quando foi se aprontar para a festa. Não que ele fosse ingênuo o bastante para pensar que ele crescera no conceito dela, Lily ainda estava brincando de espiã.
A garota o viu e acenou. James aproximou-se dela o quão rápido pôde, sem mostrar-se muito ansioso.
- Oi, James. Roupa legal.
- Você também - ele falou, olhando-a. - Está...
- Demais?
- De menos - ele falou.
- Eu sei, sinto-me nua. Eu não sabia que o corpo conseguia suportar a interrupção da circulação.
- Eu gosto das orelhas - ele falou, tentando evitar olhar para partes mais baixas da anatomia de Lily.
- Elas são minha parte favorita. Apenas não ficam bem moldadas. Petúnia sempre teve uma cabeça grande.
- Ao menos você é única. Eu não vi outros gatos.
- Nem eu. Fantasmas têm muitos. Uns vinte lobisomens, mas é por causa da lua cheia - ela retorquiu, olhando ao redor. Onde estavam Alice e Frank?
- Não é noite de lua cheia - falou James.
- É sim. Não ouviu na aula? Algo sobre a ação gravitacional ou outra coisa qualquer. Por que você está tão pálido, está tudo bem?
- Tô sim... Tenho que ir - ele falou, virando e indo embora.
Lily girou, viu Alice e Frank e acenou para que eles se aproximassem. James estava longe o bastante para ela não ouvir o que o rapaz estava dizendo, mas ele sussurrava alguma coisa para Sirius, ao que os dois saíram apressados.
- Lily, você sabe o que está havendo? Sirius e James apenas foram embora, sem explicações.
Lily reconheceu vagamente a voz como sendo da garota que ela flagrara com Sirius, na biblioteca; ela estava vestida com uma esmerada fantasia de fada.
- Não tenho certeza. Fique aqui, vou ver o que é.
Lily saiu apressada com os amigos em seu encalço; a garota de Sirius estava disposta a segui-los, mas acabou desistindo depois.
Não demorou muito para alcançá-los, e parecia que estavam bem angustiados por estar sendo seguidos. Depois de alguns minutos, Lily os viu entrando furtivamente numa entrada secreta. Praticamente correndo, os três foram atrás deles.
- Lily, o que você está fazendo aqui? - James perguntou, parecendo apavorado.
- Eu? Aonde vocês estão indo? Tem noção da quantidade de problemas que vai conseguir com isso? - ela retorquiu.
- Por que você não disse a ninguém sobre este lugar? Eu poderia ter saído também, nos outros anos - Alice disse, olhando ao redor, furtivamente.
Frank pareceu lastimável, como se preferisse estar na cama, a ali.
- James, aonde você está indo? Por que está ido pra lá? - Lily exigiu.
- Há uma festa, em Hogsmeade. É pra onde estamos indo. Remus e Peter já estão lá - Sirius respondeu.
- Uma festa, parece legal. Por que não fomos convidados? - Alice inquiriu.
- Não pensei que a Lily aprovaria - James falou. Olhou para Frank e disse: - Ele não deveria estar na cama, ou algo assim?
- Isso não importa. Você escondeu isso de mim, mentiu pra mim! - Lily acusou.
- Não menti, você sabe, só não contei a verdade toda - James se defendeu.
- Você não pode ir. Vou te levar pra dentro - ela disse.
- Então por que você ainda está nos seguindo? Você está com raiva por que ele está quebrando as regras ou por que não te pediu autorização? - Sirius perguntou.
Lily ficou chocada. Certo que Sirius era um pouco irritante às vezes, dizia coisas rudes, mas nunca fora assim com ela. Não com a garota que James amava. Havia algo mais, algo que eles não queriam dizer.
- O que está havendo? - ela perguntou.
- Nada - James disse rapidamente, parecendo que não havia nada mais que ele desejasse naquele momento do que Lily virar e ir embora dali.
- Algo está acontecendo, eu sei.
- E como você sabe disso? - ele perguntou, andando rapidamente.
- Porque vocês dois estão tensos, e Sirius foi grosso comigo e você não me defendeu.
Você me defende mesmo se um aluno do primeiro ano me ofende.
- Lily, você tem que voltar. Isso não é uma coisa que estou tentando esconder de você. Sério! Se você me seguir, pode ficar em perigo, então, por favor, pegue Alice e Frank e vão embora.
O tom da voz dele a fez oscilar. Ele parecia realmente sincero. E se fosse algo importante, não importava se ele tivesse mentido antes. Considerando tudo isso, e por Alice e Frank acharem que ela precisava relaxar um pouco e esquecer essa fixação por regras, resolveu dar uma chance para James.
- Se for algo perigoso, eu vou junto. Não posso deixá-lo ir sozinho.
- Não estou sozinho. Tenho o Sirius - James falou, indicando o amigo.
- Grande ajuda ele vai ser.
- Não adianta argumentar com ela - Frank falou, fungando.
- Ótimo. Você pode vir. Mas, se eu disser para você ficar em algum lugar, você tem que me ouvir. Se eu disser para você ir embora, não faça perguntas.
Normalmente, Lily teria dito que ele não poderia ordená-la a nada, mas essa não parecia ser uma boa hora.
- Tudo bem. Alice e Frank também vão.
- Como se eu não soubesse.
Quando eles saíram da passagem, Lily olhou em volta
- Onde nós estamos?
- Em Hogsmeade. Bem...quase. Venham.
Alguns minutos depois, eles entraram no Cabeça de Javali, onde se encontravam vários alunos. Mais até do que eles planejaram.
- Sirius, quantas pessoas você chamou?
- Apenas algumas, mas elas disseram que gostariam de convidar alguns amigos, e eu falei que poderia. Eu acho que eles chamaram esses amigos, que chamaram outros amigos, que chamaram outros...
- Temos que encontrar Remus e Peter, vamos.
Lily olhou em volta, vendo que Frank havia se sentado, ainda fungando, parecendo lastimável. Alice foi puxada para onde as pessoas dançavam por alguém que parecia ser do segundo ano, e que tinha experimentado uísque de fogo, pela aparência. Frank fez menção de se levantar e salvá-la, mas recuou.
- É só um moleque, ela consegue se livrar dessa.
Um segundo depois, James voltou com Peter e Remus.
- Que horas são? - perguntou James.
- Quase quatro. Nós ainda temos três horas até que escureça, se não quisermos ser pêgos - Lily respondeu.
- Boa idéia. Eu vou encontrar Alice e poderemos sair daqui - James falou. Frank se levantou e ofereceu-se para ajudar.
Lily foi até a porta, olhando do lado de fora. Ela estava apavorada com a perspectiva de que um professor aparecesse a qualquer momento, e ainda mais assustada por James já querer voltar.
Alice estava perdida no meio da multidão, e precisou de alguns minutos para que Frank a encontrasse. Ela estava rindo feito boba e estava agarrada a Frank. James correu, ficando do lado da garota.
- O que há de errado com ela? - ele perguntou.
- Acho que ela está bêbada - Frank respondeu. - E só ficou um tempo longe - adicionou, quase caindo em Alice. - James, você pode nos ajudar? Eu mal consigo me manter em pé. Precisamos deixá-la quieta em algum lugar até ela ficar sóbria o bastante.
James olhou para Sirius, Peter e Remus. Lily tinha saído do bar e ele não fazia idéia de onde ela estava. Mas, como ela dissera algo de ainda terem três horas de sol, ele poderia se dar ao luxo de ajudar.
- Eu já volto - falou James. - Mantenha a Lily longe desse ponche, está muito forte. Ela estava bebendo isso, eu acho.
- Certo - disse Sirius, olhando em volta.
James ficou do outro lado de Alice e desapareceu com Frank. Peter esperou que eles sumissem de vista para perguntar:
- Alguém viu a Lily?
Alguns minutos mais tarde, depois de terem sido incapazes de encontrar a ruiva, Peter teve sua resposta quando Lily colidiu com ele, quase caindo.
- Este ponche está tããão bom. Sinto-me como se pudesse voar.
Sirius e Remus trocaram olhares entre si.
- Ah... Quanto você bebeu, exatamente? - Remus perguntou.
- Uns cinco copos. Nossa... é o chão que está se movendo ou sou apenas eu? - ela falou, o corpo gingando.
Peter saiu do caminho, enquanto Sirius e Remus se apressaram em mantê-la perto. Ela ria da mesma maneira boba que Alice, e não parecia capaz de se manter nas próprias pernas.
Lily passou cada um dos braços em volta do pescoço dos rapazes, seu corpo oscilando, quase fazendo Sirius cair e puxando Remus junto com ela para o chão. Remus segurou apenas um braço de Lily e virou-se para Peter:
- Não podemos deixar James vê-la neste estado. Vá distraí-lo, enquanto Sirius e eu a levamos daqui.
- E se ele me perguntar aonde vocês foram?
- Diga que fomos resolver meu problema.
Peter olhou um momento para Lily e concordou. Remus voltou-se para Lily e Sirius, vendo o amigo segurar com custo a garota para que não caíssem.
- Sirius, você sabe, eu sempre desgostei de você - Lily falou, agarrando-se no rapaz. Mas, antes que Sirius pudesse responder, ela continuou: - Mas não mais. Eu amo você.
Remus já estava perto o bastante para Lily também passar o braço apertadamente no pescoço dele.
- E Remus, eu também te amo.
- Eu acho que você ama todo o mundo agora, Lily - Sirius retorquiu, passando seu braço envolta da cintura dela.
- Eu amo todo o mundo. Você acha que eles me amam? Vocês me amam, né?
- Sim, nós te amamos, e é por isso que estamos te levando de volta a Hogwarts e te colocaremos na cama - Remus respondeu.
- Não estou me sentindo bem - ela disse, curvando-se. Sirius a soltou rapidamente, quase provocando uma queda dela e de Remus.
- Sirius! - Remus indignou-se.
- Quê? Ela disse que não estava bem, pensei que iria vomitar em mim.
- Segure-a logo e vamos dar o fora daqui.
Os três caminharam até o lado de fora, ou, propriamente dizendo, os garotos saíram, arrastando Lily entre eles.
- Eu ainda não estou bem. Parece que estou morrendo. Não quero morrer. Frank não estava bem, vocês não acham que ele vai morrer, acham? Eu espero que não, amo o Frank, ele é como um irmão pra mim. Ele não vai morrer, vai?
- Não, ninguém vai morrer - Remus disse pacientemente. Sirius parecia aborrecido.
- Eu tive um peixe que morreu. Ele se afogou. Isso foi o que minha irmã disse. Mas não acreditei nela. Vocês acham que ela tinha dito a verdade?
- Nem ferrando - Sirius respondeu.
- Você não deveria falar dessa maneira na frente de uma dama. Não é educado, sabia? Puta merda, todos sabem disso!
Remus e Sirius olharam para Lily, admirados. Em todos aqueles anos que a conheciam, nunca a ouviram praguejar, como também nunca a ouviram cantar, como ela iniciara do nada naquele momento, e muito alto e desafinado, a música 'Filho de uma Bruxa'.
- Ao menos nós podemos ouvir a música, mesmo perdendo o show - Remus falou para Sirius, sobre a cabeça de Lily.
- Isso não é nada parecido com o que imaginei.
Lily parou.
- Você me acha uma cantora ruim?
- Não - Remus disse firmemente.
- Horrível - Sirius admitiu.
Nesse momento, Lily começou a chorar.
- Nada do que eu faça é bom o bastante. Tudo o que eu queria era ser boa, mas não sou nem a melhor em Poções, e o grande estúpido Potter é melhor do que eu em Defesa Contra as Artes das Trevas. Minha irmã me odeia. Meus melhores amigos estão se apaixonando e me esquecendo, e o estúpido do Potter está a ponto de ganhar aquela aposta estúpida. Ele acha que gosto dele, mas eu realmente não gosto, gosto? Diga-me que não. Eu realmente não quero gostar dele, não quero.
Sirius olhou para ela, fazendo um sinal de loucura. Remus o olhou em desaprovação, e deu uns tapinhas amigáveis na cabeça da garota.
- Está tudo bem, você não precisa fazer nada que não queira. E ninguém aqui vai te esquecer. Certo, Sirius?
- Como poderemos? Ela é doida.
- Ela está bêbada.
Ambos pararam de falar quando Lily os puxou para mais perto dela, voltando a andar, e a garota percebeu que o frio que sentia começou a passar.
- Devemos dizer ao James que a garota dele não pode nem sequer com licor. Nenhuma bebida alcoólica no casamento deles - Sirius disse e fazendo Lily andar mais ereta, assim como Remus, pois a garota parecia se dobrar.
- Nós voltaremos a Hogwarts antes que escureça? - Remus perguntou, olhando para o céu.
- Se voássemos, chegaríamos mais rápido.
Remus fez um feitiço convocatório, ao que duas vassouras apareceram diante deles.
- Quem leva ela? - Remus perguntou
- Eu vou. Você vai na frente, caso não dê tempo.
- Sem essa, não posso te deixar sozinho com ela, você não conseguiria entrar escondido no castelo.
- Então teremos que ser rápidos.
Voltar para o castelo demorou mais que o esperado, mas eles conseguiram, uma vez que estavam juntos. Eles decidiram entrar furtivamente no escritório do Prof. Slughorn a fim de pegar uma poção "emprestada" para deixar Lily sóbria. Ela ainda não tinha como fazer efeito, já que Lily estava praticamente dormindo.
Eles a apoiaram na parede quando ouviram o som de vozes, vindo do corredor. Sirius saiu e virou a esquina dos corredores e logo voltou.
- São Malfoy e Bellatrix.
- Sua prima?
- Não me lembre... O que eles estão fazendo aqui, já que se formaram faz tempo?
- Vá ouvir. Eu vigio a Lily.
Sirius voltou, parando antes de virar o corredor. Não eram apenas Malfoy e Bellatrix Lestrange que estavam ali, seu irmão Regulus e o Ranhoso também.
- Eu o encontrei pra você, posso ir agora? - perguntou Snape.
- Ninguém pediu pra você ficar, seu mestiço de sangue sujo.
- Acalme-se, Bellatrix. Narcissa disse para você ir com calma.
- Narcissa é uma ingênua. Ela ainda acha que Andrômeda vai se juntar a nós.
- Isso já faz muito tempo.
Sirius chegou um pouco mais perto, querendo ouvir o que eles estavam discutindo. Tinha que ser importante, para trazer os dois formados até o castelo.
- O que é que você quer? Estou perdendo uma festa por estar aqui - Regulus se queixou.
- Idiota - Sirius sussurrou.
- O que foi isso? - Bellatrix ciciou.
Sirius começou a recuar, mas sentiu uma mão o puxando de volta.
- Nada que vá nos preocupar, é apenas seu querido primo - Lucius disse olhando Sirius de cima a baixo como se ele fosse uma criatura nojenta.
- Ah, Sirius, sentiu saudades? - perguntou Bellatrix, sorrindo dissimuladamente.
- Apenas o tanto que você sentiu de mim.
- Eu deveria lançar uma maldição nele aqui e agora, dar-lhe uma lição sobre lealdade familiar - ela disse, erguendo sua varinha.
- Não, Bellatrix, deixe-o em paz.
Ela virou-se para encarar Regulus:
- Está defendendo ele?
- Não, é que se algo acontecer a ele, eu serei culpado, já que ninguém sabe que vocês estão aqui. Não posso me dar ao luxo de ter mais problemas.
- O que vocês estão fazendo aqui? Emergência de família? Alguém morreu? - perguntou esperançoso.
- Infelizmente não - Lucius respondeu com uma careta, olhando para Sirius com desgosto.
Sirius estava prestes a dizer mais alguma coisa, quando ouviu Remus chamar-lhe.
- Eu tenho que ir. Temos que fazer isso mais vezes - ele disse sarcasticamente, andando de costas.
Ele os encarou o tempo todo, mas depois deu as costas a Bellatrix, como se pedisse para ela lhe lançar uma maldição.
- Enviarei a Narcissa seu amor - Lucius disse sarcasticamente.
- Você pode enviar isso pra ela - retorquiu Sirius, virando-se para ele e fazendo um gesto muito rude com a mão, antes de virar o corredor.
- Eu odeio interromper uma reunião de família... - Remus falou, quando Sirius voltou.
- Eu não odiaria você por isso.
- Mas temos que ir. Acontecerá logo.
Sirius relanceou Lily e depois voltou a olhar o amigo.
- Vamos. Depois eu volto para ajudá-la.
Lily sentia-se vaguear entre o sono e o quase sono. Ela ouvira algumas coisas da conversa, mas fragmentos, apenas. Uma voz que ela reconheceu como a de Regulus Black prometendo fazer algo quanto tivesse idade suficiente, alguém dizendo algo sobre lobisomem e o Salgueiro Lutador. Uma voz feminina soando muito cruel dizendo que esperava que eles morressem. Uma voz que Lily jurava pertencer a Malfoy, mas ela não tinha certeza, pois ele já estava prestes a se formar quando ela começou na escola.
Levou um curto momento para despertar e, quando o fez, juntou todos os fragmentos que pôde daquelas conversas. Sirius e Remus estavam indo para o Salgueiro Lutador, e tinha aquela conversa sobre um lobisomem e alguém esperando que eles morressem.
Então, ela concluiu a única coisa que poderia. Eles estavam indo onde havia um lobisomem e eles poderiam morrer. Ela tinha que salvá-los, eram amigos de James. Tinha que impedí-los.
Ela se levantou e disparou na direção do Salgueiro Lutador. Tinha que ser rápida.
xxx-xxx
Peter e James chegaram rapidamente a Hogwarts, Alice e Frank estavam logo atrás deles.
- Ajude Frank a levá-la para algum lugar. Tenho que encontrar Sirus, Remus e Lily.
De alguma maneira, Peter acabou deixando escapar a verdade para James, mas ele não ficou com raiva, apenas preocupado que Lily pudesse estar em perigo. Ela e Sirius junto de Remus prestes a se transformar, sem nenhum tempo para se preparar. Ele ficaria mortal naquele estado.
Ele puxou o Mapa do Maroto, procurando pelo nome de Lily. E James o viu, e sentiu uma onda de terror passar por ele. Lily estava indo na direção de Remus, e tal como o sol, a lua estava brilhando cheia no céu.
Lily não tinha certeza de como ela conseguira entrar ali, apenas sabia que deveria ser rápida. Sirius e Remus poderiam estar mortos.
- Sirius! Remus!
Ela girou em círculos, tentando localizá-los.
- Vocês têm que sair daqui, há um lobisomem! - ela gritou, parecendo desesperada.
De repente, ela sentiu um calafrio descer por sua espinha. Ela virou e a viu diante de si. Não havia nenhum sinal de Sirius e Remus.
- Fique longe de mim. Eu não quero te machucar - Lily disse, andando de costas e cuidadosamente.
A criatura pareceu esforçar-se, aparentando emoções quase humanas, contudo, ela estava pronta para atacar.
Lily gritou e esquivou-se para o lado, fugindo. Provavelmente já era tarde para Sirius e Remus, e ela fora estúpida o bastante para ir até lá sozinha.
- Socorro! Alguém me ajude! - ela gritou, correndo em outra direção, para longe do lobisomem.
- Estupefaça!
O lobisomem foi atirado para longe, e Lily conseguiu correr para a saída.
- Lily!
- James? - ela gritou de volta, correndo na direção que vinha a voz dele.
Ela trombou com James, lágrimas correndo por seu rosto.
- James, temos que fugir, há um lobisomem. Sirius e Remus, eu não pude encontrá-los, é tarde, eu tentei!
James agarrou a mão dela, puxando-a para fora da entrada do Salgueiro Lutador, bem atrás de si. Puxou de seu bolso o mapa, vendo Sirius perto do escritório do Prof. Slughorn. Mas estava voltando rapidamente, na direção que ele e Lily estavam.
- Sirius e Remus estão bem.
- O quê? Como você sabe?
- Meu mapa. Ele tem seus nomes e...
Lily puxou o mapa das mãos dele, olhando-o. Ela empalideceu, chocada.
- James, este mapa... Ele diz que o Remus está lá embaixo.
- Eu sei. Ele está bem, acredite em mim.
- Mas...
Lily parou. De repente, tudo fazia sentido. James não comparecendo às rondas porque Remus estava doente, Sirius deixando escapar algo sobre a lua cheia, Remus não querendo sair depois de escurecer para visitar James, e seu nervosismo no salão comunal, James saindo do baile rapidamente depois de ouvir falar da lua cheia.
- É... Remus é o lobisomem, não é? - ela falou desconsolada.
- Sim, ele é. Mas você não pode culpá-lo. Ele não poderia evitar por mais que quisesse.
Lily ergueu a mão, impedindo-o de continuar.
- Ele não me machucou. E, mesmo se ele o fizesse, sei que não seria culpa dele. E eu não direi a ninguém. Nenhuma pessoa merece ser julgada por algo assim.
- Então... Você não se importa?
- Isso não muda quem ele é.
James olhou para ela, aliviado. Muitas pessoas não pensavam da mesma maneira.
- James, eu não tinha idéia, mas você sabia, e continuava amigo dele, não se importava. Você protegeu o segredo dele, mesmo de mim, e me fazendo pensar que era preguiçoso em não patrulhar os corredores comigo, quando, na verdade, você estava cuidando de um amigo. Eu... este tempo todo eu estava errada sobre você. Talvez você não seja tão imaturo assim, no fim das contas.
James sorriu. Era bom ouvir Lily dizer aquele tipo de coisa.
- Se eu disser a você que Sirius é um vampiro e o Peter é um aborto, você gostaria ainda mais de mim?
Lily riu.
- Não, pensaria que você é louco. - Contudo, ela parou de rir, e olhou estranhamente para o rapaz. - James, você tem um cachorro?
- Não, por quê?
- Porque tem um correndo pra cá.
James virou para olhar na mesma direção que Lily olhava, e suspirou. Parecia que aquela era uma noite excelente para revelar segredos. O cachorro parou em frente a eles, e James o assistiu se transformar em Sirius.
- Sirius?
- Eu não a vi lá.
- Você é um...
- Nós dois - James a interrompeu. - Peter também. Não poderíamos te contar. Nós ficamos com o Remus, quando ele está daquele jeito.
Sirius olhou de um para outro.
- Ela sabe sobre o Remus?
- Ela estava procurando por vocês, e o viu.
- Procurando por nós?
- Eu ouvi algo sobre um lobisomem, e você, e Remus, e a árvore, então eu pensei... - ela hesitou, incerta de como terminar. Tudo parecia ridículo, agora que ela sabia a verdade. - Eu não me importo. Não vou espalhar o segredo do Remus - ela assegurou.
- Essa foi uma longa noite. Vamos voltar para dentro - James sugeriu.
Lily concordou e caminhou entre os dois até chegar ao salão comunal. Ela os seguiu até o dormitório masculino, e depois ao quarto de Frank. Entrou lá e viu Alice deitada na cama dele, enquanto Frank estava no chão. Sorriu com aquela imagem, aproximando-se de Alice e deitando ao lado dela. Estava muito cansada para arrastá-la até o quarto delas. Lily fechou os olhos e entregou-se ao sono.
Foi uma noite de Halloween que ela não esqueceria tão cedo.
- O quê? Nós a temos planejado a semana toda - Sirius disse ultrajado.
- A Lily está desconfiada; se ela descobre que damos nossas escapadas para ir a Hogsmeade, nos mata! - James argumentou.
Remus olhou de um para outro e disse:
- Eu avisei que isso era uma má idéia, com show ou não.
Acontecia naqueles dias um show de Halloween da banda "Os Mágicos de Oz" que estava tomando conta totalmente. Mas da Irlanda. No entanto, eles estavam tentando conquistar o resto da Europa, e iriam vir para Hogsmeade. Sua última música, "Filho de uma Bruxa", estava tocando o tempo todo. E depois do show, haveria uma festança no Cabeça de Javali. O que, na opinião de Remus, seria uma má idéia, considerando que estavam indo no bar do irmão do diretor.
- Olhe, eu comprei as entradas, então eu vou - Sirius disse.
- Você comprou com o dinheiro que pegou de mim - James contrapôs.
- Peguei de você? Eu pensei que aquele dinheiro fosse um presente, sabe, um ato de caridade.
- Você disse que me reembolsaria.
- Evidentemente, eu não me lembro.
Remus suspirou. Não poderiam fugir daquele assunto. James sabia que Lily não gostaria da idéia, e ainda esperava tolamente que ela fosse com ele.
- James, por que você apenas não esquece essa festa, e deixa só o Sirius ir com o Peter?
- Eu e o Peter? E quanto a você? Você vai, certo? Comprei sua entrada - Sirius disse.
- Eu comprei a entrada; meu dinheiro - James relembrou-o.
Sirius fez um aceno displicente com a mão.
- Você tem que ir, você quer - ele falou para Remus.
- Vocês dois falando isso, só faz com que me sinta pior...
Sirius e James ficaram olhando fixamente para Remus, esperando pelo momento que o amigo cederia. E eles sempre poderiam dizer quando estavam alcançando tal momento. Normalmente, Remus usava Peter para convencer os outros dois, mas o outro maroto estava em algum outro lugar.
- Eu acredito que possa ir com vocês, para mantê-los longe de encrenca... - Remus falou por fim.
- Eu deveria ir? - James perguntou. - Lily ficaria louca por eu sair furtivamente, indo num show, numa festa, bebendo uísque de fogo. Consigo até ouvir o discurso dela de "você é Monitor Chefe".
- Você, com certeza, não deveria ir. Ela te respeitaria por isso - Remus aconselhou.
- Você deveria ir. O que a Lily não sabe, não a machuca - Sirius sugeriu.
- Se ela não descobrir... - James falou.
- Mas ela vai - Remus disse.
- ...e se ninguém mencionar nada...
- Mas alguém falará - Remus tentou novamente.
- Então ela nunca terá como saber - James concluiu, ignorando Remus.
- Eu sabia que você iria - Sirius disse triunfantemente.
Remus rolou os olhos e encostou-se em sua cadeira:
- Eu desisto.
xxx-xxx
Lily e Alice saíram do quarto de Frank. Ele ainda não havia procurado a curandeira, embora ambas tentassem convencê-lo do contrário durante muito tempo, até desistirem. Contudo, Lily havia achado bem engraçado quando Alice bateu o pé, chamando Frank de "teimoso idiota".
Depois de tentarem fazer o certo pelo amigo, ela e Alice foram bancar as detetives, como Alice dissera anteriormente.
- Então, você tem certeza que não quer esperar até a noite para perguntar a ele? Ele pode te contar.
- E porcos podem voar. O que quer que seja, ele não vai me contar. Não depois daquela pergunta hipotética.
- Se você não fosse uma louca por regras... - Lily encarou Alice, ao que a garota ficou quieta. - Então, de quem você acha que seria mais fácil arrancar a verdade? Remus, Peter ou Sirius? - perguntou.
- Não de Siruis, obviamente - ela disse, lembrando-se quando conversaram na biblioteca.
- Peter seria fácil, talvez um feitiço de cócegas, ou ameaçá-lo com uma maldição...
- Alice!
- Estou brincando. Mas ele não é do tipo confiável. Já o Remus é um cara legal, ele pode nos dizer. Provavelmente ele não está gostando do que quer que vá acontecer.
Lily pensou nisso. Remus era um dos inteligentes do grupo, talvez ele falasse.
- Vamos perguntar a ele.
xxx
- Oi, Remus.
- Olá, Remus.
Remus olhou para cima, sentado na poltrona do salão comunal, para ver as duas garotas sorrindo-lhe abertamente. Sorrindo abertamente; elas pareciam estar querendo alguma coisa.
- Olá, Lily, Alice.
As duas se olharam e sentaram-se, cada uma em um braço da poltrona. Elas lembram-no dois predadores prestes a devorar sua presa.
- Vocês querem alguma coisa?
- Nós queremos você - disse Alice, e, percebendo como isso soara, adicionou: - Não foi isso que quis dizer.
- Eu espero, ou James e Frank ficariam bem contrariados comigo.
- Frank? O que ele tem a ver com isso? - Alice perguntou.
- Ah... O que ela quer dizer, é que queremos você ao nosso lado - Lily disse rapidamente, evitando o olhar ávido de Alice.
- Acho que não estou entendendo - Remus disse, se perguntando se um dos outros amigos desceriam logo ao salão comunal para salvá-lo.
- Sem conversa fiada. Nós sabemos que você sabe, e você irá nos dizer - Alice exigiu.
Lily arregalou os olhos.
- Alice?
- Eu pensei que estávamos fazendo o "policial bom, policial mau". Você estava sendo o "policial bom".
- Estou deixando você ler muito dos meus livros trouxas - Lily disse, então: - Hei! Por que eu não posso ser o "policial mau"?
- Porque você é boa. E eu quero ser o mau. Nenhuma de nós é má mesmo.
Remus olhou de uma para outra, perguntando-se se ele poderia levantar e ir embora sem elas perceberem.
- Nem pense nisso - Lily disse rapidamente, colocando a mão no ombro dele.
- Algo está acontecendo, e queremos saber o quê - Alice falou.
- O que vocês quatro estão planejando para o Halloween? - Lily exigiu.
- Nada, vocês devem ter se enganado, e eu tenho que ir agora e...
Ambas as garotas o puxaram, fazendo Remus se sentar novamente.
- Nós sabemos que você sabe - Lily falou.
- Não posso dizer nada - Remus se defendeu.
- James sabe que ele sabe. E James sabe que nós sabemos que Remus sabe - Alice disse para Lily.
- Certo. Então, se nós sabemos, James saberá que nós sabemos que Remus sabe, e nós sabemos que ele saberá como descobrimos - Lily concluiu.
- Vocês poderiam falar isso de novo? - Remus perguntou, confuso.
- Então, se ele nos contar, James ficará irritado - Alice disse.
- E não os queremos brigando. - Lily suspirou.
- Então, temos que perturbar o próprio James - Alice disse frustrada.
- Certo, eu vou perguntar a ele hoje à noite - Lily disse, ambas ficando em pé.
As garotas saíram do salão comunal, conversando uma com a outra, e Remus as olhou de onde estava. Ao menos Lily era tão doida quanto James.
xxx-xxx
Não importou o quão insistente ela foi, James nada disse para Lily sobre o que estava planejando. Isso a irritou tanto, que ela lançou um feitiço nele, deixando o cabelo do rapaz num tom de verde horroroso. Depois disso, eles sequer conversaram até o fim do dia seguinte.
Então, Lily decidiu deixá-lo para lá, preferindo espioná-lo no Halloween. No entanto, ela não pretendia ser cordial com ele, já que James estava lhe escondendo algo. Com isso, no dia seguinte ela o ignorou em Poções (ele não poderia fazer parceria com Sirius, já que o amigo estava com sua "não-namorada"), e escolheu trabalhar com Snape.
- Você está trabalhando comigo muito freqüentemente. Estou começando a pensar que você tem a impressão de que gosto de sua companhia.
Lily rolou os olhos pelo comentário de Snape. Ela esperava por aquilo.
- James e eu estamos tendo um pequeno desentendimento...
Snape respirou pesadamente.
- Não é nenhuma novidade.
Lily o ignorou e continuou:
- Então, estou trabalhando com você e o deixando trabalhar sozinho. E minha outra parceira não está. Saint Mungus de novo. Ouvi que ela teve um desagradável encontro com o Salgueiro Lutador.
- Eu certamente lhe enviarei flores.
- Seu sarcasmo é revigorante. Vamos tentar algo novo hoje; você tem que, sei lá, dizer algo agradável. Talvez sorrir - Lily comentou.
- Eu sorrirei se você for embora.
- Não sorriria. Você nem sabe como sorrir. Além disso, sou a melhor da classe em Poções, você deveria querer que eu trabalhasse contigo. - Notando o olhar sobre si, ela disse rapidamente: - Segunda melhor da classe, depois de você.
- Desesperada o bastante para evitar o Potter, você usa de bajulação?
- Então, você ouviu sobre a garota e o Salgueiro Lutador? Ouvi dizer que ela queria descobrir onde daria a passagem que tem embaixo dele - Lily disse, mudando de assunto.
- Nada que ela iria querer encontrar.
- Você quer dizer que sabe?
- Não.
- Foi sim. Conte-me.
- Vou dizer que há outro lugar que você gostaria de estar.
- Por quê? O irmão da Lula Gigante vive em algum lugar lá embaixo? Um coven de vampiros? - ela zombou.
- Algo assim - ele falou displicentemente.
Lily o olhou por um momento.
- Se eu acertar, você vai me dizer?
- Não.
- É um monstro? Um dementador? Lobisomem? - ela perguntou, ignorando o comentário dele. Snape hesitou um pouco ante a última opção.
- Se você quer tanto saber o que há lá embaixo, pergunte a James Potter ou Sirius Black - ele disse raivosamente, fechando seu livro.
- Tá... Vamos apenas trabalhar em Poções - Lily disse cuidadosamente, se perguntando o que havia lá embaixo e o que deixara Snape tão irritado. E o que James tinha com tudo isso?
xxx-xxx
Frank ainda estava doente, e Alice estava tentando transformar seu suco de abóbora em cerveja amanteigada quando chegou o Halloween, e Lily colocou seu plano de seguir James em ação. Ela começou cedo naquela manhã, quando sentou com seus amigos no salão comunal.
- Então, acho que vou de vampiro na festa de Halloween - Peter estava dizendo, quando ela chegou.
- Eu não consigo vê-lo como vampiro, você quase desmaiou quando me viu sangrando - James retorquiu, movendo-se no sofá de modo que Lily sentasse ao seu lado.
- Vocês esperaram até hoje para escolherem seus trajes?
- Escolhemos os nossos há três semanas. Irei de fantasma - Alice disse.
- Que original - Sirius comentou. Alice atirou uma almofada nele.
- Vou de zumbi - Frank disse, pegando a almofada antes que ela atingisse Alice de volta.
- Você vai como, Lily? - James perguntou.
- De gata. Foi a fantasia da minha irmã, no ano passado. Não acho que vou gostar muito, está um pouco pequena. Na verdade, bem apertada.
- Ela parece uma... - Alice começou, mas foi interrompida por uma almofada que lhe atingiu no rosto. - Frank!
- Então, do que você vai, James? - Lily perguntou, não dando atenção para Alice que revidara a almofadada de Frank.
- Assassino foragido de Azkaban. Sirius é minha vítima.
- Eu tenho um machado que finca na minha cabeça. É bem real - Sirius disse.
- Será que não basta apenas uma maldição imperdoável para matar alguém? - ela perguntou.
- Mas não seria tão criativo, não acha? - James retorquiu.
- E quanto a você, Remus, vai de quê? - Alice perguntou.
- Eu não decidi.
- Você poderia ir de lula gigante, alguém sempre vai. Não, um novato da Hufflepuff vai assim. Nós temos um fantasma, zumbi, vampiro, todos os clássicos, o que sobra... Oh, eu sei, você poderia ser um lobisomem - ela sugeriu.
Lily viu Remus e James trocarem um olhar, e se perguntou o que aquilo significava.
- Isso é... uma idéia interessante.
- Realmente, eu acho que daria certo pra você. Tão calmo a maior parte do tempo, bem centrado, poderia ser totalmente Dr. Jekyll e Sr. Hyde de "O Médico e o Monstro": normalmente um cara comum, para então virar uma besta selvagem.
- Alice, o Sr. Hyde não era uma besta selvagem. Ele era apenas um homenzinho mau que matou alguém. Eu sei, li o livro - Lily protestou.
- Oh... Esse é o problema dele. Ele nem sequer é um monstro.
Lily notou Remus olhar para Alice intensamente, e também parecia pálido.
- Você está bem? - perguntou preocupada.
- Ótimo. Acho que vou descer agora, tomar café da manhã cedo - ele disse, levantando-se e indo embora.
Algo bipou na mente de Lily, como se fosse um óbvio mistério, e ela estava quase completando este pensamento quando James disse de repente que também ia descer; os outros garotos, com exceção de Frank, o seguiram.
Ela não se importou, o que era importante é que ela iria descobrir o que James lhe escondia. Mesmo se essa descoberta a matasse.
xxx-xxx
Havia uma festa no Salão Principal e todos estavam fantasiados. Os professores estavam de olho nos alunos, o que não a deixaria excitante. No entanto, havia poucas pessoas que estavam se divertindo. Lily notou também que alguns alunos foram embora cedo, mas imaginou que estavam apenas indo para o salão comunal, numa festa não-observada. Nada que a preocupasse; os monitores cuidariam disso.
James a viu e parou de andar imediatamente. A fantasia dela estava grudada no corpo, como se fosse uma segunda pele; não importava que não mostrasse nada, já que deixava bem fácil para a imaginação.
- É a Lily? De repente estou vendo porque você gosta tanto dela - disse Sirius.
James bateu no braço do amigo e continuou olhando a garota fixamente. Ela ficara por perto dele o dia todo, afastando-se apenas quando foi se aprontar para a festa. Não que ele fosse ingênuo o bastante para pensar que ele crescera no conceito dela, Lily ainda estava brincando de espiã.
A garota o viu e acenou. James aproximou-se dela o quão rápido pôde, sem mostrar-se muito ansioso.
- Oi, James. Roupa legal.
- Você também - ele falou, olhando-a. - Está...
- Demais?
- De menos - ele falou.
- Eu sei, sinto-me nua. Eu não sabia que o corpo conseguia suportar a interrupção da circulação.
- Eu gosto das orelhas - ele falou, tentando evitar olhar para partes mais baixas da anatomia de Lily.
- Elas são minha parte favorita. Apenas não ficam bem moldadas. Petúnia sempre teve uma cabeça grande.
- Ao menos você é única. Eu não vi outros gatos.
- Nem eu. Fantasmas têm muitos. Uns vinte lobisomens, mas é por causa da lua cheia - ela retorquiu, olhando ao redor. Onde estavam Alice e Frank?
- Não é noite de lua cheia - falou James.
- É sim. Não ouviu na aula? Algo sobre a ação gravitacional ou outra coisa qualquer. Por que você está tão pálido, está tudo bem?
- Tô sim... Tenho que ir - ele falou, virando e indo embora.
Lily girou, viu Alice e Frank e acenou para que eles se aproximassem. James estava longe o bastante para ela não ouvir o que o rapaz estava dizendo, mas ele sussurrava alguma coisa para Sirius, ao que os dois saíram apressados.
- Lily, você sabe o que está havendo? Sirius e James apenas foram embora, sem explicações.
Lily reconheceu vagamente a voz como sendo da garota que ela flagrara com Sirius, na biblioteca; ela estava vestida com uma esmerada fantasia de fada.
- Não tenho certeza. Fique aqui, vou ver o que é.
Lily saiu apressada com os amigos em seu encalço; a garota de Sirius estava disposta a segui-los, mas acabou desistindo depois.
Não demorou muito para alcançá-los, e parecia que estavam bem angustiados por estar sendo seguidos. Depois de alguns minutos, Lily os viu entrando furtivamente numa entrada secreta. Praticamente correndo, os três foram atrás deles.
- Lily, o que você está fazendo aqui? - James perguntou, parecendo apavorado.
- Eu? Aonde vocês estão indo? Tem noção da quantidade de problemas que vai conseguir com isso? - ela retorquiu.
- Por que você não disse a ninguém sobre este lugar? Eu poderia ter saído também, nos outros anos - Alice disse, olhando ao redor, furtivamente.
Frank pareceu lastimável, como se preferisse estar na cama, a ali.
- James, aonde você está indo? Por que está ido pra lá? - Lily exigiu.
- Há uma festa, em Hogsmeade. É pra onde estamos indo. Remus e Peter já estão lá - Sirius respondeu.
- Uma festa, parece legal. Por que não fomos convidados? - Alice inquiriu.
- Não pensei que a Lily aprovaria - James falou. Olhou para Frank e disse: - Ele não deveria estar na cama, ou algo assim?
- Isso não importa. Você escondeu isso de mim, mentiu pra mim! - Lily acusou.
- Não menti, você sabe, só não contei a verdade toda - James se defendeu.
- Você não pode ir. Vou te levar pra dentro - ela disse.
- Então por que você ainda está nos seguindo? Você está com raiva por que ele está quebrando as regras ou por que não te pediu autorização? - Sirius perguntou.
Lily ficou chocada. Certo que Sirius era um pouco irritante às vezes, dizia coisas rudes, mas nunca fora assim com ela. Não com a garota que James amava. Havia algo mais, algo que eles não queriam dizer.
- O que está havendo? - ela perguntou.
- Nada - James disse rapidamente, parecendo que não havia nada mais que ele desejasse naquele momento do que Lily virar e ir embora dali.
- Algo está acontecendo, eu sei.
- E como você sabe disso? - ele perguntou, andando rapidamente.
- Porque vocês dois estão tensos, e Sirius foi grosso comigo e você não me defendeu.
Você me defende mesmo se um aluno do primeiro ano me ofende.
- Lily, você tem que voltar. Isso não é uma coisa que estou tentando esconder de você. Sério! Se você me seguir, pode ficar em perigo, então, por favor, pegue Alice e Frank e vão embora.
O tom da voz dele a fez oscilar. Ele parecia realmente sincero. E se fosse algo importante, não importava se ele tivesse mentido antes. Considerando tudo isso, e por Alice e Frank acharem que ela precisava relaxar um pouco e esquecer essa fixação por regras, resolveu dar uma chance para James.
- Se for algo perigoso, eu vou junto. Não posso deixá-lo ir sozinho.
- Não estou sozinho. Tenho o Sirius - James falou, indicando o amigo.
- Grande ajuda ele vai ser.
- Não adianta argumentar com ela - Frank falou, fungando.
- Ótimo. Você pode vir. Mas, se eu disser para você ficar em algum lugar, você tem que me ouvir. Se eu disser para você ir embora, não faça perguntas.
Normalmente, Lily teria dito que ele não poderia ordená-la a nada, mas essa não parecia ser uma boa hora.
- Tudo bem. Alice e Frank também vão.
- Como se eu não soubesse.
Quando eles saíram da passagem, Lily olhou em volta
- Onde nós estamos?
- Em Hogsmeade. Bem...quase. Venham.
Alguns minutos depois, eles entraram no Cabeça de Javali, onde se encontravam vários alunos. Mais até do que eles planejaram.
- Sirius, quantas pessoas você chamou?
- Apenas algumas, mas elas disseram que gostariam de convidar alguns amigos, e eu falei que poderia. Eu acho que eles chamaram esses amigos, que chamaram outros amigos, que chamaram outros...
- Temos que encontrar Remus e Peter, vamos.
Lily olhou em volta, vendo que Frank havia se sentado, ainda fungando, parecendo lastimável. Alice foi puxada para onde as pessoas dançavam por alguém que parecia ser do segundo ano, e que tinha experimentado uísque de fogo, pela aparência. Frank fez menção de se levantar e salvá-la, mas recuou.
- É só um moleque, ela consegue se livrar dessa.
Um segundo depois, James voltou com Peter e Remus.
- Que horas são? - perguntou James.
- Quase quatro. Nós ainda temos três horas até que escureça, se não quisermos ser pêgos - Lily respondeu.
- Boa idéia. Eu vou encontrar Alice e poderemos sair daqui - James falou. Frank se levantou e ofereceu-se para ajudar.
Lily foi até a porta, olhando do lado de fora. Ela estava apavorada com a perspectiva de que um professor aparecesse a qualquer momento, e ainda mais assustada por James já querer voltar.
Alice estava perdida no meio da multidão, e precisou de alguns minutos para que Frank a encontrasse. Ela estava rindo feito boba e estava agarrada a Frank. James correu, ficando do lado da garota.
- O que há de errado com ela? - ele perguntou.
- Acho que ela está bêbada - Frank respondeu. - E só ficou um tempo longe - adicionou, quase caindo em Alice. - James, você pode nos ajudar? Eu mal consigo me manter em pé. Precisamos deixá-la quieta em algum lugar até ela ficar sóbria o bastante.
James olhou para Sirius, Peter e Remus. Lily tinha saído do bar e ele não fazia idéia de onde ela estava. Mas, como ela dissera algo de ainda terem três horas de sol, ele poderia se dar ao luxo de ajudar.
- Eu já volto - falou James. - Mantenha a Lily longe desse ponche, está muito forte. Ela estava bebendo isso, eu acho.
- Certo - disse Sirius, olhando em volta.
James ficou do outro lado de Alice e desapareceu com Frank. Peter esperou que eles sumissem de vista para perguntar:
- Alguém viu a Lily?
Alguns minutos mais tarde, depois de terem sido incapazes de encontrar a ruiva, Peter teve sua resposta quando Lily colidiu com ele, quase caindo.
- Este ponche está tããão bom. Sinto-me como se pudesse voar.
Sirius e Remus trocaram olhares entre si.
- Ah... Quanto você bebeu, exatamente? - Remus perguntou.
- Uns cinco copos. Nossa... é o chão que está se movendo ou sou apenas eu? - ela falou, o corpo gingando.
Peter saiu do caminho, enquanto Sirius e Remus se apressaram em mantê-la perto. Ela ria da mesma maneira boba que Alice, e não parecia capaz de se manter nas próprias pernas.
Lily passou cada um dos braços em volta do pescoço dos rapazes, seu corpo oscilando, quase fazendo Sirius cair e puxando Remus junto com ela para o chão. Remus segurou apenas um braço de Lily e virou-se para Peter:
- Não podemos deixar James vê-la neste estado. Vá distraí-lo, enquanto Sirius e eu a levamos daqui.
- E se ele me perguntar aonde vocês foram?
- Diga que fomos resolver meu problema.
Peter olhou um momento para Lily e concordou. Remus voltou-se para Lily e Sirius, vendo o amigo segurar com custo a garota para que não caíssem.
- Sirius, você sabe, eu sempre desgostei de você - Lily falou, agarrando-se no rapaz. Mas, antes que Sirius pudesse responder, ela continuou: - Mas não mais. Eu amo você.
Remus já estava perto o bastante para Lily também passar o braço apertadamente no pescoço dele.
- E Remus, eu também te amo.
- Eu acho que você ama todo o mundo agora, Lily - Sirius retorquiu, passando seu braço envolta da cintura dela.
- Eu amo todo o mundo. Você acha que eles me amam? Vocês me amam, né?
- Sim, nós te amamos, e é por isso que estamos te levando de volta a Hogwarts e te colocaremos na cama - Remus respondeu.
- Não estou me sentindo bem - ela disse, curvando-se. Sirius a soltou rapidamente, quase provocando uma queda dela e de Remus.
- Sirius! - Remus indignou-se.
- Quê? Ela disse que não estava bem, pensei que iria vomitar em mim.
- Segure-a logo e vamos dar o fora daqui.
Os três caminharam até o lado de fora, ou, propriamente dizendo, os garotos saíram, arrastando Lily entre eles.
- Eu ainda não estou bem. Parece que estou morrendo. Não quero morrer. Frank não estava bem, vocês não acham que ele vai morrer, acham? Eu espero que não, amo o Frank, ele é como um irmão pra mim. Ele não vai morrer, vai?
- Não, ninguém vai morrer - Remus disse pacientemente. Sirius parecia aborrecido.
- Eu tive um peixe que morreu. Ele se afogou. Isso foi o que minha irmã disse. Mas não acreditei nela. Vocês acham que ela tinha dito a verdade?
- Nem ferrando - Sirius respondeu.
- Você não deveria falar dessa maneira na frente de uma dama. Não é educado, sabia? Puta merda, todos sabem disso!
Remus e Sirius olharam para Lily, admirados. Em todos aqueles anos que a conheciam, nunca a ouviram praguejar, como também nunca a ouviram cantar, como ela iniciara do nada naquele momento, e muito alto e desafinado, a música 'Filho de uma Bruxa'.
- Ao menos nós podemos ouvir a música, mesmo perdendo o show - Remus falou para Sirius, sobre a cabeça de Lily.
- Isso não é nada parecido com o que imaginei.
Lily parou.
- Você me acha uma cantora ruim?
- Não - Remus disse firmemente.
- Horrível - Sirius admitiu.
Nesse momento, Lily começou a chorar.
- Nada do que eu faça é bom o bastante. Tudo o que eu queria era ser boa, mas não sou nem a melhor em Poções, e o grande estúpido Potter é melhor do que eu em Defesa Contra as Artes das Trevas. Minha irmã me odeia. Meus melhores amigos estão se apaixonando e me esquecendo, e o estúpido do Potter está a ponto de ganhar aquela aposta estúpida. Ele acha que gosto dele, mas eu realmente não gosto, gosto? Diga-me que não. Eu realmente não quero gostar dele, não quero.
Sirius olhou para ela, fazendo um sinal de loucura. Remus o olhou em desaprovação, e deu uns tapinhas amigáveis na cabeça da garota.
- Está tudo bem, você não precisa fazer nada que não queira. E ninguém aqui vai te esquecer. Certo, Sirius?
- Como poderemos? Ela é doida.
- Ela está bêbada.
Ambos pararam de falar quando Lily os puxou para mais perto dela, voltando a andar, e a garota percebeu que o frio que sentia começou a passar.
- Devemos dizer ao James que a garota dele não pode nem sequer com licor. Nenhuma bebida alcoólica no casamento deles - Sirius disse e fazendo Lily andar mais ereta, assim como Remus, pois a garota parecia se dobrar.
- Nós voltaremos a Hogwarts antes que escureça? - Remus perguntou, olhando para o céu.
- Se voássemos, chegaríamos mais rápido.
Remus fez um feitiço convocatório, ao que duas vassouras apareceram diante deles.
- Quem leva ela? - Remus perguntou
- Eu vou. Você vai na frente, caso não dê tempo.
- Sem essa, não posso te deixar sozinho com ela, você não conseguiria entrar escondido no castelo.
- Então teremos que ser rápidos.
Voltar para o castelo demorou mais que o esperado, mas eles conseguiram, uma vez que estavam juntos. Eles decidiram entrar furtivamente no escritório do Prof. Slughorn a fim de pegar uma poção "emprestada" para deixar Lily sóbria. Ela ainda não tinha como fazer efeito, já que Lily estava praticamente dormindo.
Eles a apoiaram na parede quando ouviram o som de vozes, vindo do corredor. Sirius saiu e virou a esquina dos corredores e logo voltou.
- São Malfoy e Bellatrix.
- Sua prima?
- Não me lembre... O que eles estão fazendo aqui, já que se formaram faz tempo?
- Vá ouvir. Eu vigio a Lily.
Sirius voltou, parando antes de virar o corredor. Não eram apenas Malfoy e Bellatrix Lestrange que estavam ali, seu irmão Regulus e o Ranhoso também.
- Eu o encontrei pra você, posso ir agora? - perguntou Snape.
- Ninguém pediu pra você ficar, seu mestiço de sangue sujo.
- Acalme-se, Bellatrix. Narcissa disse para você ir com calma.
- Narcissa é uma ingênua. Ela ainda acha que Andrômeda vai se juntar a nós.
- Isso já faz muito tempo.
Sirius chegou um pouco mais perto, querendo ouvir o que eles estavam discutindo. Tinha que ser importante, para trazer os dois formados até o castelo.
- O que é que você quer? Estou perdendo uma festa por estar aqui - Regulus se queixou.
- Idiota - Sirius sussurrou.
- O que foi isso? - Bellatrix ciciou.
Sirius começou a recuar, mas sentiu uma mão o puxando de volta.
- Nada que vá nos preocupar, é apenas seu querido primo - Lucius disse olhando Sirius de cima a baixo como se ele fosse uma criatura nojenta.
- Ah, Sirius, sentiu saudades? - perguntou Bellatrix, sorrindo dissimuladamente.
- Apenas o tanto que você sentiu de mim.
- Eu deveria lançar uma maldição nele aqui e agora, dar-lhe uma lição sobre lealdade familiar - ela disse, erguendo sua varinha.
- Não, Bellatrix, deixe-o em paz.
Ela virou-se para encarar Regulus:
- Está defendendo ele?
- Não, é que se algo acontecer a ele, eu serei culpado, já que ninguém sabe que vocês estão aqui. Não posso me dar ao luxo de ter mais problemas.
- O que vocês estão fazendo aqui? Emergência de família? Alguém morreu? - perguntou esperançoso.
- Infelizmente não - Lucius respondeu com uma careta, olhando para Sirius com desgosto.
Sirius estava prestes a dizer mais alguma coisa, quando ouviu Remus chamar-lhe.
- Eu tenho que ir. Temos que fazer isso mais vezes - ele disse sarcasticamente, andando de costas.
Ele os encarou o tempo todo, mas depois deu as costas a Bellatrix, como se pedisse para ela lhe lançar uma maldição.
- Enviarei a Narcissa seu amor - Lucius disse sarcasticamente.
- Você pode enviar isso pra ela - retorquiu Sirius, virando-se para ele e fazendo um gesto muito rude com a mão, antes de virar o corredor.
- Eu odeio interromper uma reunião de família... - Remus falou, quando Sirius voltou.
- Eu não odiaria você por isso.
- Mas temos que ir. Acontecerá logo.
Sirius relanceou Lily e depois voltou a olhar o amigo.
- Vamos. Depois eu volto para ajudá-la.
Lily sentia-se vaguear entre o sono e o quase sono. Ela ouvira algumas coisas da conversa, mas fragmentos, apenas. Uma voz que ela reconheceu como a de Regulus Black prometendo fazer algo quanto tivesse idade suficiente, alguém dizendo algo sobre lobisomem e o Salgueiro Lutador. Uma voz feminina soando muito cruel dizendo que esperava que eles morressem. Uma voz que Lily jurava pertencer a Malfoy, mas ela não tinha certeza, pois ele já estava prestes a se formar quando ela começou na escola.
Levou um curto momento para despertar e, quando o fez, juntou todos os fragmentos que pôde daquelas conversas. Sirius e Remus estavam indo para o Salgueiro Lutador, e tinha aquela conversa sobre um lobisomem e alguém esperando que eles morressem.
Então, ela concluiu a única coisa que poderia. Eles estavam indo onde havia um lobisomem e eles poderiam morrer. Ela tinha que salvá-los, eram amigos de James. Tinha que impedí-los.
Ela se levantou e disparou na direção do Salgueiro Lutador. Tinha que ser rápida.
xxx-xxx
Peter e James chegaram rapidamente a Hogwarts, Alice e Frank estavam logo atrás deles.
- Ajude Frank a levá-la para algum lugar. Tenho que encontrar Sirus, Remus e Lily.
De alguma maneira, Peter acabou deixando escapar a verdade para James, mas ele não ficou com raiva, apenas preocupado que Lily pudesse estar em perigo. Ela e Sirius junto de Remus prestes a se transformar, sem nenhum tempo para se preparar. Ele ficaria mortal naquele estado.
Ele puxou o Mapa do Maroto, procurando pelo nome de Lily. E James o viu, e sentiu uma onda de terror passar por ele. Lily estava indo na direção de Remus, e tal como o sol, a lua estava brilhando cheia no céu.
Lily não tinha certeza de como ela conseguira entrar ali, apenas sabia que deveria ser rápida. Sirius e Remus poderiam estar mortos.
- Sirius! Remus!
Ela girou em círculos, tentando localizá-los.
- Vocês têm que sair daqui, há um lobisomem! - ela gritou, parecendo desesperada.
De repente, ela sentiu um calafrio descer por sua espinha. Ela virou e a viu diante de si. Não havia nenhum sinal de Sirius e Remus.
- Fique longe de mim. Eu não quero te machucar - Lily disse, andando de costas e cuidadosamente.
A criatura pareceu esforçar-se, aparentando emoções quase humanas, contudo, ela estava pronta para atacar.
Lily gritou e esquivou-se para o lado, fugindo. Provavelmente já era tarde para Sirius e Remus, e ela fora estúpida o bastante para ir até lá sozinha.
- Socorro! Alguém me ajude! - ela gritou, correndo em outra direção, para longe do lobisomem.
- Estupefaça!
O lobisomem foi atirado para longe, e Lily conseguiu correr para a saída.
- Lily!
- James? - ela gritou de volta, correndo na direção que vinha a voz dele.
Ela trombou com James, lágrimas correndo por seu rosto.
- James, temos que fugir, há um lobisomem. Sirius e Remus, eu não pude encontrá-los, é tarde, eu tentei!
James agarrou a mão dela, puxando-a para fora da entrada do Salgueiro Lutador, bem atrás de si. Puxou de seu bolso o mapa, vendo Sirius perto do escritório do Prof. Slughorn. Mas estava voltando rapidamente, na direção que ele e Lily estavam.
- Sirius e Remus estão bem.
- O quê? Como você sabe?
- Meu mapa. Ele tem seus nomes e...
Lily puxou o mapa das mãos dele, olhando-o. Ela empalideceu, chocada.
- James, este mapa... Ele diz que o Remus está lá embaixo.
- Eu sei. Ele está bem, acredite em mim.
- Mas...
Lily parou. De repente, tudo fazia sentido. James não comparecendo às rondas porque Remus estava doente, Sirius deixando escapar algo sobre a lua cheia, Remus não querendo sair depois de escurecer para visitar James, e seu nervosismo no salão comunal, James saindo do baile rapidamente depois de ouvir falar da lua cheia.
- É... Remus é o lobisomem, não é? - ela falou desconsolada.
- Sim, ele é. Mas você não pode culpá-lo. Ele não poderia evitar por mais que quisesse.
Lily ergueu a mão, impedindo-o de continuar.
- Ele não me machucou. E, mesmo se ele o fizesse, sei que não seria culpa dele. E eu não direi a ninguém. Nenhuma pessoa merece ser julgada por algo assim.
- Então... Você não se importa?
- Isso não muda quem ele é.
James olhou para ela, aliviado. Muitas pessoas não pensavam da mesma maneira.
- James, eu não tinha idéia, mas você sabia, e continuava amigo dele, não se importava. Você protegeu o segredo dele, mesmo de mim, e me fazendo pensar que era preguiçoso em não patrulhar os corredores comigo, quando, na verdade, você estava cuidando de um amigo. Eu... este tempo todo eu estava errada sobre você. Talvez você não seja tão imaturo assim, no fim das contas.
James sorriu. Era bom ouvir Lily dizer aquele tipo de coisa.
- Se eu disser a você que Sirius é um vampiro e o Peter é um aborto, você gostaria ainda mais de mim?
Lily riu.
- Não, pensaria que você é louco. - Contudo, ela parou de rir, e olhou estranhamente para o rapaz. - James, você tem um cachorro?
- Não, por quê?
- Porque tem um correndo pra cá.
James virou para olhar na mesma direção que Lily olhava, e suspirou. Parecia que aquela era uma noite excelente para revelar segredos. O cachorro parou em frente a eles, e James o assistiu se transformar em Sirius.
- Sirius?
- Eu não a vi lá.
- Você é um...
- Nós dois - James a interrompeu. - Peter também. Não poderíamos te contar. Nós ficamos com o Remus, quando ele está daquele jeito.
Sirius olhou de um para outro.
- Ela sabe sobre o Remus?
- Ela estava procurando por vocês, e o viu.
- Procurando por nós?
- Eu ouvi algo sobre um lobisomem, e você, e Remus, e a árvore, então eu pensei... - ela hesitou, incerta de como terminar. Tudo parecia ridículo, agora que ela sabia a verdade. - Eu não me importo. Não vou espalhar o segredo do Remus - ela assegurou.
- Essa foi uma longa noite. Vamos voltar para dentro - James sugeriu.
Lily concordou e caminhou entre os dois até chegar ao salão comunal. Ela os seguiu até o dormitório masculino, e depois ao quarto de Frank. Entrou lá e viu Alice deitada na cama dele, enquanto Frank estava no chão. Sorriu com aquela imagem, aproximando-se de Alice e deitando ao lado dela. Estava muito cansada para arrastá-la até o quarto delas. Lily fechou os olhos e entregou-se ao sono.
Foi uma noite de Halloween que ela não esqueceria tão cedo.
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